Thursday, November 18, 2004

Camões aos doidos que nos governam

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Por isso, ó vós que as famas estimais
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai já do sono do ócio ignavo,
Que o ânimo, de livre, faz escravo

E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente.
Melhor é merecê-los sem os ter,
Que possui-los sem os merecer.


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(Os Lusíadas, Canto IX, 92-93)