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Showing posts from June, 2005

"The poem's threat is the beautiful"

Philippe Lacoue-Labarthe, em Poetry as Experience*, reflecte sobre a questão da poesia. Celan está no centro - e na origem, com frequência - das suas reflexões. Na contracapa do livro lê-se que “Lacoue-Labarthe’s Poetry as Experience addresses the question of a lyric language that would not be the expression of subjectivity.” E na mesma contracapa lê-se a seguir: “In his analysis of the historical position of Paul Celan’s poetry, Lacoue-Labarthe defines the subject as the principle that founds, organizes, and secures both cognition and action – a principle that turned, most violently during the twentieth century, into a figure not only of domination but of extermination of everything other than itself. This thoroughly universal, abstract, and finally suicidal subject eradicates all experience, save the singularities of this experience of voiding. But what is left, as Paul Celan’s insisted, is a remainder accessible to the lyric voice alone: Singbarer Rest.”
Fui para dentro do livro e c…

O que é a poesia?

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(jc)


Escrever poesia é tentar organizar ou reorganizar os dados da experiência com intuitos cognitivos usando a linguagem - e aspirando ao "sublime", não à "beleza". Ler poesia é a mesma coisa, mas como leitores somos "sujeitos" em segundo grau: o trabalho de organizar o mundo e a experiência, a investigação sobre o sentido, foram nesse caso iniciados por outra pessoa.

Rilke: L'art est...

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Daumier, A rebelião



"L’art est le désir obscur de toutes choses. Les mots anxieux aspirent à entrer dans le poème, de pauvres paysages se parfont dans le tableau, des homes malades y deviennent beaux. De fait: l'artiste enlève les choses qu'il choisit de représenter aux nombreuses relations contingentes et conventionnelles, il les rend solitaires et place ces solitaires dans un commerce simple et pur. S'il aime une chose, il apporte dans son ombre bien des confessions silencieuses et lui confie cent petits secrets. Mais tout ce qu’il ressent intimement croît derrière cette chose étroite et la dépasse et le pousse à aligner un nouvel argument à côté de ce premier trop mince, et à construire dans un [deux] troisième et quatrième ce mur derrière lequel battent les vagues de sa vie. Et les choses qui peu à peu lui fournissent ces arguments se sentent étrangement parentes. Des cohérences profondes, non discernées par l'artiste lui-même, s’emboîtent solidement. Elles son…

Dissonances

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"Dissonances, and other irregularities can be produced advisedly, as art, and worked as to give more charm than strict conformities."

(Thomas Hardy)






Balthus


Literary form

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«A text communicates thoughts about the world which it represents but it also communicates thoughts about itself. (...) More than any other kind of form, literary form demands our attention at the same time as our attention is also demanded by literary content.»
(Nigel Fabb, Language and Literary Structure - The linguistic analysis
of form in verse and narrative.Cambridge University Press, 2002)




Murillo, Music

Uncertainties, ambiguities, contradictions

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Pierre Puvis de Chavannes, Hope


«Literary form is seen to be a kind of meaning, a description of itself which the text communicates to the reader, and has all the complex characteristics associated with meaning: uncertainties, ambiguities and contradictions.»

(Nigel Fabb, Language and Literary Structure - The linguistic analysis
of form in verse and narrative. Cambridge University Press, 2002)


Rumi: We have this way of talking

Jelaluddin RUMI (1207-1273) nasceu no Afganistão, nesse tempo parte do império Persa. "Rumi" significa "da Anatólia Romana". Ver The Essential Rumi, translations by Coleman Barks, HarperSanFrancisco, 2004; e The Rumi Collection, edited by Kabir Helminski, Shambhala, 2005.


We have this way of talking
and we have another.
Apart from what we wish
and what we fear may happen
we are alive with other life
as clear stones
take form in the mountain.

(Trad. C. Barks)

O Douro

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(jc)

A roda

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(jc)

Ruínas

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(jc)

Teste 2

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Modigliani

Teste

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Excelente, agora até usando o Mac se podem colocar fotos no blogue da mesma maneira que se insere texto. O progresso é constante, vertiginoso... Felizmente há ainda uns blogues por aí em que o tópico é, com mais solenidade e como diria André Gide, "fazer a toilette diária dos sentimentos" ("sentimentos" muito político-mundano-literários com frequência).

A indignação veemente com o boato sobre a morte de um escritor que está por enquanto bem vivo surpreende-me. Em que é que anunciar a morte de alguém pode prejudicar a pessoa que se diz ter morrido? Antes pelo contrário, o "morto que afinal está vivo" fica ainda mais famoso, foi notícia e os jornais e os blogues falam dele. O meu colega e néanmoins amigo Heitor Gomes Teixeira não teve a bandeira da Universidade Nova a meia-haste em sua honra apesar de estar bem vivo e bem disposto? Fartou-se de rir, achou imensa piada. Eu é que fiquei com receio de telefonar para casa dele para ter notícias. E quando o fiz e…

Hamsun: I eat, sleep and read

Knut Hamsum (1859-1952), que recebera o Prémio Nobel da Literatura em 1920, foi depois da II Grande Guerra acusado de traição devido à sua simpatia pelos alemães durante a invasão da Noruega. Por essa razão foi preso em 1945 e viria a passar algum tempo num asilo de idosos. Lars Frode Larsen resume esse episódio polémico da vida de Hamsun desta maneira:

“Adolf Hitler seized power in Germany, and embarked on an ominous sabre rattling. Hamsun, who had been friendly disposed towards Germany since the days of the Empire, through the First World War and the Weimar Republic, adhered to his pro-German sympathies. The painful years began in earnest when the Germans occupied Norway in 1940. Seen with patriotic Norwegian eyes, Hamsun found himself on the wrong side in a life-and-death struggle.
At the liberation of Norway in 1945, Hamsun emerged as a rather diminished figure. He was forced to undergo a harsh mental examination, and the psychiatrists' conclusion was that he had "permanent…

Watzlawick: A autonomia

"(…) on peut rejeter une idée (ou une hypothèse, une idéologie, une croyance, etc.) ou bien parce qu'on a un point de vue opposé, ou bien parce qu'on n'adhère ni à cette idée, ni à sa négation. Dans le dernier cas, on reste donc à l'écart du conflit qui oppose l’assertion et sa négation; en d'autres termes, n'étant ni pour ni contre, on ne s'engage pour aucune des deux parties opposées. C’est ce qu'on appelle l'autonomie (il ne faut pas confondre cette autonomie avec le concept hégélien de synthèse qui permet de résoudre l'opposition de la thèse et de l'antithèse)."


(Paul Watzlawick, “L’imparfaite perfection”, in L’Invention de la Réalité,
traduit de l’allemand par Anne-Lise Hacker, Eds. du Seuil, Paris, 1988)

Hollywood

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(jc)

Hollywood

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Candeeiro e palmeira em SB

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(jc)

Beira-mar em SB

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"Fonte" em SB

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Mesa e bancos em SB

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Santa Barbara

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Made in USA

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Gente atravessando a rua

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Casa no cimo da colina

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Confusão

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(jc)

Marina Tsvetaeva: And soon all of us...

I know the truth

I know the truth - give up all other truths!
No need for people anywhere on earth to struggle.
Look - it is evening, look, it is nearly night:
what do you speak of, poets, lovers, generals?

The wind is level now, the earth is wet with dew,
the storm of stars in the sky will turn to quiet.
And soon all of us will sleep under the earth,
we who never let each other sleep above it.

(1915)

(Marina Tsvetaeva, Selected Poems, translated by Elaine
Feinstein and Angela Livingstone, Penguin Books, 1993)

Pas mal

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(jc)

Hollywood

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(jc)

Crepúsculo

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Casa em Malibu

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(jc)

Hollywood

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Malibu 3

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Malibu 2

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Estrada à beira-mar ao crepúsculo

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Malibu

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Azul

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(jc)

O objectivo da poesia

O objectivo da poesia não deve ser ocultar nem traficar a realidade para, mentindo, a tornar mais bela ou sedutora do que ela é; as palavras podem servir para isso, mas pode-se tentar usá-las mais seriamente e com mais proveito.
O objectivo da poesia deve ser mostrar a realidade de ângulos diferentes e ainda não explorados, em enquadramentos diferentes - para questioná-la, para a desvendar ou revelar; para tentar compreendê-la e conhecê-la; para acercar-se-lhe; para tentar torná-la experiência verdadeiramente nossa. A deformação da realidade só é justificada nessas condições.
A «beleza» e sobretudo o «sublime» são criados pelo «conteúdo» da «forma» tanto como pela «forma» do «conteúdo» (Hjemslev propôs esta visão do problema "forma/conteúdo"*).
Um avião que inspirasse admiração pela sua beleza mas não pudesse voar ficaria bem no museu, mas que lugar e utilidade teria nas nossas existências reais? O mito da inocência e da inutilidade da arte é apenas um mito, negado por todas…

O camião e a árvore

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(jc)

Arrogância

Arrogância: pensar que os outros, contrariamente aos nossos amigos ou afinidades, não estão de acordo com as nossas brilhantes opiniões ou não admiram o nosso extraordinário talento e cultura porque não nos entenderam - e porque acima de tudo ou além disso são uns ignorantes. Pois. Mas pode haver outras, muitas outras razões.
Quando só existiam jornais e revistas de papel era muito mais fácil «impor a ordem», pois os que discordavam ou eram insultados tinham poucas possibilidades de responder, de se exprimir. Mas essa época, por ora, acabou, embora haja quem não o tenha ainda percebido. A História, agora, e apesar de a imprensa tradicional, a rádio e a televisão continuarem a dispor de um poder enorme, é escrita a muitas mãos.

Alguns links

Mais alguns blogues, a acrescentar a listas anteriores e a blogues citados aqui há pouco tempo. Alguns são leituras já antigas e outros são descobertas mais recentes:

Cura di Sé

A arte da fuga

Absurdo

La campana de Cristal

Muito cá de casa

O divino

Germina

A incrível mesa azul

Rua da Judiaria

Arukutipa

Lusofonia

Rue Catinat

Garfiar

Sebentaria

O almocreve das petas

Dom Casmurro

O funcionamento de certas coisas

Acerca de Deus

Segundo a educação que recebemos, Deus teria um povo preferido. O que é problemático, pois sendo Deus a suprema perfeição e responsável pelo que criou, não deveria, em princípio, ter preferências dessa natureza. Continuando a reflectir, o problema complica-se: há 300 candidatos a um lugar que está vago na função pública e todos os 300 rezam, pedindo a ajuda de Deus para conseguir o emprego. Pergunta: Deus vai "dar o emprego" a quem? ao mais competente ou àquele que se revelou melhor cristão, mais sincero na sua oração? Se Deus é Justo, como nós imaginamos que é, o melhor candidato obtém o emprego - e deveria obtê-lo mesmo sem ter rezado. Mas se Deus, imaginemos, fosse Vaidoso, Inseguro e Narcisista, um Ditador? Nesse caso provavelmente daria o emprego àquele que rezou melhor, pois ao agir assim revelou-se mais amigo de Deus. Mas um Deus que privilegiasse aqueles que melhor o amam estaria, imagino, a perverter as leis da sua própria criação, pois numa situação em que a compet…

A palavra de Deus

Provavelmente faz parte da mentalidade de todos os "vanguardistas", "inovadores", "revolucionários", "profetas", sempre mais inteligentes e avançados do que os outros mortais: antes deles o mundo estava completamente errado, ninguém sabia nada de nada, era o caos, a confusão, o erro, a mentira generalizada. E então eles chegaram, cheios de ciência e de sabedoria, ardendo de talento, e com olhos mais abertos do que os de toda a gente decretaram a morte do reino exagerado da opinião, o fim das trevas. Pela boca ou pela pena deles chegou finalmente o reino tranquilo de Deus, as palavras disseram enfim a verdade que andava camuflada. Rezemos.

O silêncio, no entanto, é muito mais verdadeiro do que a "palavra divina". Não necessita do espectáculo da correcção ou edição posterior, "melhorada".

Quem resiste a dizer o que pensa sobre o mundo, os livros, as outras pessoas, tem sobre aqueles que falam e escrevem a vantagem de uma profunda…

O tempo e nós

Abre-se o jornal e que se lê? Mortes: Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal, Eugénio de Andrade. Logo três «figuras nacionais» de uma vez. Que dizer? Nada. Fica-se calado, a pensar, depois a vida retoma o seu vício ou ritmo («o ritmo da vida»: a gente sabe o que isso quer dizer, não sabe? mas não nos assustamos).

P.S. Por sugestão de Ma-Schambafui dar uma vista de olhos a uns blogues que falam de literatura. Que importa ao mundo civilizado a extravagante opinião de um poeta de Coimbra sobre Blaise Cendrars (que nem era francês) e a poesia francesa? Nada. Presunção e água benta...

Lisboa

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(jc)

Lisboa

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(jc)

Baptizabimini

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(jc)

Nostalgia?

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(jc)

O passado

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(jc)

Literature and Biography

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<>Murillo, Laughing boy


«Diaries as well as curiosity about unpublished documents and biographical "findings" mark an unhealthy sharpening of interest in documentary literary history, that is, history that is concerned with mores, personalities, and with the interrelationship between writers and their milieu. Most of the "documents" are relevant, not to literature or its history, but rather to the study of the author as a man (if not to the study of his brothers and aunts).
In contrast to these biographical studies, there is a concurrent development of critical literature concentrating on the specific poetic elements in verbal art (the contributions of the Opojaz and other branches of "Formalism"). Thus at first glance there would appear to be a profound split among literary scholars. These two currents seem to have diverged in a definitive way, and no reconciliation seems possible. To a certain extent this is true: many biographers cannot be made to …

Repeat as necessary

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O livrinho vende-se na livraria do campus. A gente entende que tudo se aprende, tudo se pode ensinar. Questão de técnica. Outros capítulos do manual ensinam como perceber ou saber se o rapaz com quem se anda envolvida é um assassino ou se é casado; como resolver questões de borbulhas, odores corporais, cortes na barba, mau hálito, gazes intestinais; como proceder se o rapaz se embebeda, se o cartão de crédito não funcionou; como «ter sexo em espaço apertado», como «fingir um orgasmo», como sobreviver ao «ressonar», como proceder se se acorda ao pé de uma pessoa de quem se esqueceu o nome. Tanta coisa a aprender! E a vida tão curta...


HOW TO DEAL WITH A BAD KISSER


Too aggressive

1. Slow him down. Ask your date to kiss more gently. Say, "Can I show you the way I really like to kiss?" and slowly lean forward to offer a demonstration.
2. Kiss your date.
3. Draw away from the kiss.
Briefly drawing away from the kiss is another way of saying slow down.
4. Gently hold his face.
Your hands c…

A casa

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(jc)

O candeeiro

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(jc)

Janela para as vinhas

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(jc)

Forma vermelha

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Caracol noctívago

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(jc)

Caracol noctívago

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Escadas

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(jc)

Areia da praia

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(jc)

Camilo: O amor e a virtude

Releia-se Camilo Castelo Branco. Os lugares-comuns conhecidos da técnica romanesca podem fazer sorrir, mas é de prazer e cumplicidade. Como ninguém, o velho mestre sabe caracterizar as personagens, ir entrelaçando os fios da intriga, moralizar, fazer compreender e desculpar o que a sociedade considera imoral. Há quem lhe tenha chamado reaccionário, crente inabalável do amor romântico, coisas assim, que facilmente saem da pena irresponsável e apressada. Leram-no mal. Ele duvidou do amor e não se cansou de investigar as razões da paixão e do desvario, na origem dos destinos felizes e as mais das vezes trágicos. Ele, como Garrett, e como Eça mas antes dele, mostrou ter sobre o casamento e sobre as relações entre homens e mulheres uma sabedoria que antecipa muitos escritos das modernas ciências humanas. E fez tudo isso com um talento que não tem par. E fez tudo isso numa linguagem que diverte e seduz, além de espantar e também inquietar. Às vezes, a falar dentro dos seus romances enquanto…

Pianistas de jazz

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Pianistas de jazz

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Praia

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(jc)