Monday, August 29, 2005

Agosto

Quem está e não está,
os dias passam,
esqueceste os lábios
e as mãos,
quem em vez
de mim, em
vez de eu estar,
quem?

Palavras,
também o ruído
dos motores,
que ficou do
que aconteceu,
ninguém se
lembrará, não
há memórias, nada
rompeu o liso
lago de areia.

Os dias passavam,
ruas com raparigas
e rapazes, eu
sempre só, onde
estavas, dizias
que estavas,
nunca
estavas,
nunca estás?

À noite o vento
soprava nas árvores
da cidade. E os
mortos dormiam,
esquecidos. E eu
pensava: quem
em vez de estar
não está, porquê
o filme sem sentido,
a ficção a atormentar
a carne que não
compreende,

porquê o tédio,
a paixão, o medo,
e depois o nada, o
vazio, o deserto?