Thursday, August 18, 2005

Erlend Loe: Naïf. Super

O Vasco ofereceu-me o livro na tradução publicada pela Fenda. Mas se eu tivesse prestado alguma atenção à crítica que sobre ele apareceu no "Mil Folhas" não o tinha lido. A menina que escreveu essa crítica ou não percebeu nada do que leu ou imagina-se muito super ou estava de mau humor. O livro é delicioso, surpreende, lê-se com prazer. Hesitei, numa livraria de Oslo, entre o original, a versão inglesa, a versão francesa. Acabei por comprar a última, mas como volto a Oslo hoje creio que vou comprar também a versão original. O meu norueguês está longe de ser perfeito, mas tem progredido, para surpresa minha. Esta noite estive a ler a conversa do protagonista com um miúdo do infantário, seu vizinho. Tratava-se de saber quem tinha visto mais animais. A narração aparentemente simplória, falsamente ingénua, é de uma eficácia que obriga a reflectir. Parece um livro escrito para a Fenda. Há muito tempo que não encontrava um escritor original. Erlend Loe é original, tem um estilo próprio. Pode pensar-se na influência de outros autores sobre a sua escrita, mas tudo foi filtrado pela necessidade, pelo talento, pela vocação, pela coragem de ter estilo próprio. Aconselho.