Wednesday, August 24, 2005

O que eu pensei há bocado

Os blogues mais lidos, mais populares, tendem a assemelhar-se aos jornais em papel e à imprensa comercial em geral. Mas ser surpreendido e estimulado por pontos de vista mais privados e discretos, mais extravagantes ou originais, à margem de ambições imperialistas de domínio, educação e manipulação da opinião, dá um prazer especial.


Recordar uma pessoa que faleceu e foi cremada é uma experiência dolorosa, cruel - porque da pessoa que nós conhecemos já só resta a cinza sem forma, um pó sem identidade perceptível. A ilusão do desaparecimento progessivo e da desagregação lenta não nos é concedida. O choque é brutal.


Tendo em conta tudo o que há para fazer, descobrir, experimentar, apreciar, aprender, construir - quando se aprendeu enfim minimamente a arte de viver - o tempo que é concedido aos seres humanos é uma miséria. A invenção da eternidade prova que não nos conformamos à ideia de um desaparecimento tão rápido, de uma passagem tão fugaz pela terra. No que me diz respeito, e por razões evidentes, eu sou a favor da existência de Deus e da eternidade. Estou seguro de que Deus, se existe, não pode assemelhar-se minimamente à ideia imperfeita e cruel que da sua "pessoa" se fizeram e fazem os seres humanos (em parte para meter medo a quem não tinha medo do rei nem do papão, isto é, para conferir à Lei uma justificação metafísica).


A quantidade de informação, a impressionante e quotidiana erudição de O almocreve das petas. Outros blogues que revelam uma vocação e curiosidade intelectual semelhantes: Muito cá de casa; Cartografia do exílio.



N. B. As fotografias que aparecem neste blogue são digitais mas foram tiradas por mim, são originais e não foram manipuladas no mau sentido do termo. :-)