Tuesday, September 27, 2005

A shining countenance

Falam-nos uma linguagem desconhecida, que não compreendemos bem mas pressentimos cheia de sentidos. O que é estranho não nos aborrece nem irrita e parece, nas palavras, ficar agradavelmente à espera de ser identificado, o que nos dá prazer. Escondemo-nos de nós mesmos, do cansaço dos sentidos conhecidos, nessa realidade impossível de entender, de visualizar, de explicar? Paz interior e alegria discreta mas intensa: o mundo, a vida, o ser permanecem impenetráveis, não há sistema ou regra que os resuma ou consiga definir de uma vez por todas, ainda há desconhecido. Experiência curiosa. O que é a poesia? Narrativa da experiência "original", criação da "experiência original", revelação surpreendente do que não havia para revelar? Who knows.


Eternities dead
and gone,
a letter touches
your still-un-
injured fingers,
a shining countenance
comes somersaulting in
and touches down in
smells, sounds.


Paul Celan, Glottal Stop, translated by Nikolai Popov & Heather
McHugh, University Press of New England, 2000