Tuesday, May 31, 2005

Velas


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Costas letradas


(jc)

Coisas meio antigas


(jc)

Arte popular?

Arte popular?

Monday, May 30, 2005

Amarelo, verde, azul


(jc)

Árvores, colinas


(jc)

Sunday, May 29, 2005

Os franceses

Não sei se os franceses vão votar a favor ou contra a Constituição Europeia. Mas já me diverte a indústria dos comentários sabichões e superiores que começaram a surgir na imprensa portuguesa. Eu próprio podia votar se tivesse tido tempo de ir ao Consulado Francês de Los Angeles. Mas apesar de não me considerar nada conservador, não sei se votaria «sim» ou «não». É que já não sei se a resistência dos franceses à desejável e necessária Europa unida não é fruto de uma hesitação lúcida e de uma resistência saudável à balbúrdia, à decadência dos costumes e dos ideais, a certas formas de demagogia, à progressiva degradação e eliminação da identidade individual das pessoas e dos países. Chamem reaccionários aos franceses, vão dizendo e escrevendo que eles se fecham sobre si mesmos e que prejudicados por um orgulho desmedido não querem entender o presente nem o futuro. Eu não estou lá e portanto não sei como avaliar o que vai acontecer. Seja sim ou não o resultado, não me entusiasmarei a aprovar nem a condenar; tentarei apenas entender, sem cair na tentação de acusar.

Camilo Castelo Branco: poesia e realidade (equívocos)

“A tristeza das ruínas é uma tristeza particular, da qual nem todas as almas se magoam. Já observei vezes sem conto isto mesmo no semblante das pessoas que foram comigo visitar um palácio derrocado, ou as alpendradas dum convento, ou algum lanço empenado de muro de castelo.
No convento de franciscanos, cerca de Viana, relíquias santas em cujas abóbodas credes ouvir ainda o ciar da oração dos frades contemplativos, estava eu, por uma tarde de estio com um amigo, que escrevera muito sobre a poesia da cruz. Subimos a um teso donde se avistavam descampadas e fertilíssimas várzeas. A fronte do meu amigo pareceu-me alumiada do sacro lume do estro. Esperei, com reverente silêncio, a estrofe inspirada pela soledade, e esmaltada dos matizes do sítio, que eram poesias feitas para um génio que as bem soubesse ler. Entreabriu o poeta os beiços como flor matutina o cálice ao primeiro beijo do sol e disse:
«Se fosse meu tudo isto que vejo daqui, ia viajar num vapor meu, comprava um palácio em Milão, outro em Paris outro em Londres, e havia desbancar quantos luxos orientais o Byron inventou para o seu Sardanapalo!»
Não respondi, de triste que fiquei, e de triste que já estava.
Outra vez, fui com outro amigo ao castelo de Palmela. Desci às masmorras em que não seria custoso com uma enxada trazer à flor da terra as ossadas dos que ali morreram há cem anos emparedados à ordem do conde de Oeiras. Refugi com o pensamento deste laivo sangrento da história, e fui em cata de glórias aos séculos primeiros daquele baluarte da nossa independência de Castela e da mourisma. Enleavam-me certas meditações, quando o meu amigo, cabisbaixo num ângulo de um bastão, resmoneou:
«Fizemos uma crassa tolice em não trazermos de Setúbal um pedaço de carne assada e duas garrafas do Cartaxo, que era óptimo vinho, e havia de saber-nos aqui que nem o néctar dos deuses.»
Ora, este poeta era amantíssimo de ruínas, quando as poetava no seu gabinete, em artigos, a um tempo, de saudade do que fomos, e fulminação contra os governos bárbaros, que deixavam ao camartelo iconoclasta demolir os vetustos moimentos da nossa extinta grandeza.
Outro caso:
Nos arrabaldes de Lisboa, há um espaçoso jardim abandonado, junto de uma casa esburacada de balas, e aberta em largas fendas, desde o cerco de 1833. Por entre ervas e arbustos silvestres rompem algumas hastes enfezadinhas de raríssimas flores que teimam em reflorir na sua estação, como se a esperança lhes não morresse ainda de voltarem aos cuidados da mão delicada, que as semeara e animara ali, com o coração em flor também. Quem se lembra ainda da formosa jardineira que descia com o sol a colher ao seu jardim os mais gentis enfeites dos seus cabelos? A formosa passou, e a rosa-de-toucar floreja ainda ao pé do mirto à sombra da anémola e da romãzeira, abafada pelas moitas das papoilas, que são o efémero adorno das sepulturas. Que triste eu cismava nisto, quando o meu amigo, autor de idílios que faziam amar a botânica e adorar as flores, rompeu nesta canção:
«Este jardim, aqui às portas de Lisboa, se o dono o pusesse a couve-lombarda e feijão carrapato podia render vinte e tantas libras anuais.»
Disse, e perguntou-me se iríamos jantar ao Mata, ou à Taverna Inglesa.
Por estas e outras, pus eu que a tristeza das ruínas é uma particular tristeza, da qual nem todas as almas se magoam.”


(Camilo Castelo Branco, O Romance dum Homem Rico, 1861)

Thursday, May 26, 2005

Céu da Califórnia


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Caminho privado


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Pátio das traseiras


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A árvore à beira-mar


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A sedução do verde


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Campo de golfe


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Muro


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Na ilha


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Terceira


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Barco


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Máquina


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Wednesday, May 25, 2005

Hvaler


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Resistente


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Tuesday, May 24, 2005

Politica e futebol: Excessos

As notícias recentes sobre o deficit e sobre a equipa que ganhou a Liga provam que Portugal gosta é de estar no vermelho. Governantes, dirigentes do futebol e árbitros afinal têm muito em comum.

Monday, May 23, 2005

Um destino literário

Escrever sem que me atribuam um estilo
podia ser a minha ambição. As palavras
não se enredariam na tentação da beleza,
eu saberia evitar a «pose» (no último
décimo de segundo virava à esquerda em
vez de continuar em frente, por exemplo;
isto é, fugiria à frase feita e ao modelo
aprendido; descobriria então, sem recear
o paradoxo aparente, uma realidade imprevista
e inadmissível; ou deixaria a outros
a possibilidade de a encontrar). Assim
me construiria um destino literário à medida
da modéstia da minha existência. Que importaria
que interpretassem como falta de talento
a minha ambição de me realizar na escassez?
Quem me conhece? E quem conheço eu que se assemelhe
a deus ao ponto de me incomodarem o seu olhar
condescendente e as suas observações sapientes?
Se estivesse ao meu alcance a simplicidade,
quem poderia cortar-me o caminho que leva
à extrema solidão, impedir-me, sem remorso nem vergonha,
de comprazer-me no exílio? Muitas vezes
preferi, porém, o vigor das imagens à frase
em que poderia ficar entreaberta a porta
para o real. Muitas vezes deixei-me levar
pelos sons e pela necessidade de ser amado e admirado.
Como o actor trágico que não resiste à adulação
do público e começa a declamar, acabando
por fazer sorrir, eu, apesar de sozinho diante
da página branca, procurei suscitar o aplauso
dos imbecis, a admiração dos ignorantes, o entusiasmo
sem razão de ser das jovens adolescentes
a quem faltava a experiência da vida e dos sentimentos.
A consciência do erro cometido não me traz
a sabedoria como uma qualidade definitiva
do carácter. Eu sei. Não aspirar
ao estilo talvez seja um projecto
insensato, pragmaticamente falando. Quem é
tão semelhante às jovens raparigas
cuja beleza espanta e atormenta
que possa agradar com o seu ar despretensioso,
sem se ter vestido e pintado de certa maneira?
Elas próprias, apesar de filhas dos deuses,
não acreditam no poder do seu olhar límpido,
da sua pele em que resplandece a indizível
pureza dos anjos, da nossa juventude. E
mascaram-se de mulheres do mundo
antes de ir encontrar-se com os rapazes
e os homens que as desejam. Por isso
posso desculpar-me todos os meus defeitos
e sobretudo a incapacidade de falar como se
estivesse calado e o real se confundisse
com as frases que o nomeiam.

(João Camilo, Nunca Mais se Apagam as Imagens,
Edições Fenda, Lisboa, 1996)

Sunday, May 22, 2005

Caminho


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Lagoa


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O mar


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Friends


R. (jc)

Friends


G. e N. (jc)

Mulher de pedra


BM (jc)

Saturday, May 21, 2005

Pessoas


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Rua de aldeia


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Três amigos


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O pratinho do gato


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Friday, May 20, 2005

Bonecos


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Cenário


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Rosto


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Cabeça


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Souvenirs


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Cartas e velas


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Thursday, May 19, 2005

O que é «arte»?


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No museu


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Ângulos


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O leãozinho de Alvalade


Béu béu...

Ted Pikul's photos


Ciclista

Luz


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Riscos


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Desenhos


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Os mitos da poesia


MSF


Os poemas deles falam de poetas e de pintores,
das cidades que outra arte tornou inesquecíveis.
Com títulos ingleses e palavras estrangeiras
tentam escapar ao tédio e adoram o bezerro já idolatrado.
Literatura que celebra a literatura, arte que comemora a arte,
não nos resta como projecto de futuro senão a aventura alheia?
Bem sei, é confortável no meio de uma invencível solidão
ter por companhia uma forma já reconhecida
de estar e de sentir. Dá tanto jeito recorrer
ao sentido organizado, em vez
de ter estado lá a descortinar a ordem
ignorada das coisas. Também eu, às vezes,
diante da folha de papel branco que é o dia,
sou sensível ao árduo esforço com que se procura transmitir
o bem estar que nos percorre, o que secretamente
se insinua no nosso olhar habituado às cores e às formas.
Um certo som do piano de Schubert na manhã cinzenta,
o fumo ácido de um cigarro, o cheiro inesperado do incenso,
uma chávena de chá perto da mão direita. E à uma hora
íamos ao encontro da rapariga de blugines.
Quem a tirou, sem a ter embelezado, de um quadro
de Boticelli? Quem lhe desordenou
em cima dos ombros os cabelos aloirados?
Alguém terá já dito por mim o que estava a sentir?
(Camões, único Camões, só tu soubeste, por tê-las meditado,
falar das dores e alegrias do amor em pouca conta tido).
Vou pondo os dedos, um de cada vez, nos mistérios
impenetráveis deste tempo de festa que me coube.
Um filme que se vai desenrolando em silêncio enquanto
em frente da janela os pinheiros jovens oscilam ao vento
tépido que nos envia o Este. Se o meu espírito se inquieta
é por haver uma certa forma de violência
na aparente inocência com que nos percorrem
todos os instantes. Descobrir o que me acontece
é ir aprendendo de cor o meu papel. Senão
que responderei à parte mais rebelde de mim mesmo
quando esquecendo-se da minha escravidão à Lei começa
a desejar a aventura? Mas que em vez
de partirmos não nos fique apenas a crescer,
no lugar do remorso, o apetite mórbido de limpar e esterilizar
as carruagens tristes em que não quisemos ou não pudemos ir
pelas montanhas desertas à procura da outra imagem
de nós mesmos. Tão utilitária, a poesia. Em vez
das palavras novas, das cores e sons com que
resgataríamos aqueles que entre metais e fumos
vão aprendendo a domesticar animais que não cessam
de rugir, cedemos à tentação mais fácil de sermos
compreendidos. Não me perdoarão isto. Mas eu
tinha-lhes perdoado aquilo. E quem pode pretender
ser menos ocioso do que eles, quando sentados diante
do mar vão falando de minerais, multiplicando
por si mesma a metáfora das algas e dos peixes?
Afagam as folhas dos dedos com uma paciência secular.
Os países de que falam têm o interesse inegável
de estarem longe e de não nos termos nunca
debruçado sobre os seus lagos e precipícios. Se
tivéssemos estado lá, provavelmente
havíamos de sorrir dos jogos de luz que eles viram
nas árvores quando nasce o dia, da cor
que eles disseram que tinha o ar
à hora do crepúsculo. Quem sabe, porém,
se esquecendo-nos de olhar à nossa volta,
não teríamos passado o tempo a recordar
o que eles inventaram. Ninguém pode dizer, também,
se postos diante da beleza que descreveram
eles poderiam suportar a sua presença brusca e pesada.
Possivelmente deixariam o lugar vazio e haviam de partir,
mesmo que tentássemos retê-los pela manga do casaco.
Bem sei, a missão deles é inventar os sentimentos dos outros.
Mas nasce-me ao lê-los a impressão incómoda
de que querem viver a minha vida por procuração.
Eu, que tenho prazer em ouvir falar as pessoas
sem me preocupar em saber primeiramente qual a música
que elas ouvem. E seduz-me tanto
ouvir como se respondem as notas de Beethoven,
de Mozart e de Schubert que evito até falar de Janáček.
Se não nos deu nobreza o dinheiro nem as origens
aristocráticas, a cultura pelo menos fez de nós pessoas
de rara distinção. Lemos a revista e o livro
que acabam de sair em Paris ou em Nova Iorque,
fomos à estreia do concerto ou do filme de que falam
os snobs entendidos, encomendámos o compact disc
com a interpretação sublime da Kirsten Flagstad.
E se alguém começa a rir-se da nossa inocência febril,
deixamos descair o lábio inferior num esgar cosmopolita.
Não é do estrangeiro sobretudo que nos chega o alimento
espiritual? As caravelas também foram e vieram, que houve
nisso de prejudicial? Pobre de mim,
que gastei tanto tempo com sentimentos inúteis,
a espiá-los e a inventá-los, a dissecá-los, a querer entendê-los.
Sentava-me ao sol nas esplanadas dos cafés e
mandava vir uma bica, desperdiçava o tempo
que as florestas iam usando para se tornarem densas.
Era essa a minha vida, desnecessária e até absurda,
pirueta ligeira de saltimbanco na rua ao fim da tarde.
Devia ter pintado a cara para não enxovalhar definitivamente
o único rosto que podiam contemplar aqueles
que queriam conhecer-me. Eram sempre jovens,
iam e vinham, eu estava à espera deles,
não tinha sono e apaixonava-me saber o que sentiam.
Os cigarros que fumavam tinham deixado de dar-me prazer,
mas sentado ao lado deles, deslumbrado e de olhos atentos,
era como se estivesse a assistir ao repassar
da minha adolescência. O meu lugar devia ser
noutro sítio, a conversar com gente menos ávida,
e no entanto era assim que ia descobrindo a falta
de mistério das cidades. Se pelo menos tivesse aprendido
a utilizar melhor as palavras, descoberto maneiras
mais eficazes de ir reunindo as frases. Mas quando
me levantava para me ir embora
seguia pela rua adiante a pensar naquele
que podia ter sido. As montanhas
carregadas de neve nunca tinham deixado de me esperar.
Quando, porém, daria o passo
definitivo que me faria regressar?
Num quarto pequeno com a janela aberta recuperaria
o tempo perdido, o ar frio tranquilizaria como
antigamente o meu sangue impuro, entenderia
por que tinha gasto os dias em esforços inúteis.
Mas entrava apenas no automóvel, ia para casa,
e no dia seguinte o tédio de mim mesmo
recomeçava. Entretanto, folheando livros, lia
rapidamente os versos deles, e aspirando
a uma arte diferente recomeçava a escrever.


(O T de Tu, Edições Fenda , Coimbra, 1981)

Wednesday, May 18, 2005

Curva


(jc)

Café


(jc)

O futuro?


(jc)

Tuesday, May 17, 2005

Rilke: True singing

1,3

A god can do it. But will you tell me how
a man can penetrate through the lyre's strings?
Our mind is split. And at the shadowed crossing
of heart-roads, there is no temple for Apollo.

Song, as you have taught it, is not desire,
not wooing any grace that can be achieved;
song is reality. Simple, for a god.
But when can we be real? When does he pour

the earth, the stars, into us? Young man,
it is not your loving, even if your mouth
was forced wide open by your own voice—learn

to forget that passionate music. It will end.
True singing is a different breath, about
nothing. A gust inside the god. A wind.



(The sonnets to Orpheus, in The Selected Poetry of
RMR, translated by Stephen Mitchell, Vintage Books)

Monday, May 16, 2005

Tardes na cidade


(jc)

Pessoas


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Encenação do feminino


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Unstable bluff


(jc)

Na estrada


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Le promeneur solitaire


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Escadas para a praia


(jc)

Na praia


(jc)

Na praia


(jc)

Antiques


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Meninas e flores


Detalhe de quadro de pintor não identificado (jc)

O sentimento religioso


Detalhe de quadro de pintor não identificado (jc)

Sunday, May 15, 2005

Visão do mundo

Ela - Tens uma visão do mundo ou limitas-te a acumular os dias e os acontecimentos?
Ele - Tenho uma visão do mundo. Não se nota? Querias que a desse a conhecer de maneira mais clara?
Ela - Não forçosamente. Falar, teorizar, é sempre arriscado. A gente diz o que não quer.
Ele - Sim, agir é mais seguro. E é inevitável: por instinto ou vício natural de sobrevivência não sabemos ficar quietos.
Ela - Pois, falar não é necessário e até pode ser prejudicial. Eu também prefiro a acção e o silêncio. Assim tenho menos remorsos.
Ele - Já reparaste que as imagens são muito mais inocentes do que as frases? Além disso há coisas que as palavras não podem dizer. Mas a gente esquece-se disso.
Ela - Pois, a linguagem é imperfeita e fonte de malentendidos.
Ele - Mas cada um pode interpretar as imagens como entender.
Ela - Pois, se pudéssemos comunicar apenas através de imagens a vida seria muito mais pacífica. Eu sei.

Antiquário


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Rosto


Detalhe de pintura de autor não identificado (jc)

Olhos no céu


Detalhe de quadro de pintor não identificado (jc)

Os livros e a espada


Detalhe de quadro de pintor não identificado (jc)

Rail road a fingir


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No campo


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Puto


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Espuma


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Praia


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Escadas


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Triângulos


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Janelas


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Saturday, May 14, 2005

Auerbach sobre o Quixote



Fernando, as mães têm sempre razão: o Dom Quixote é um grande livro - o que nunca esteve minimamente em causa; e a Peregrinação está longe de ser uma narrrativa divertida ou de leitura fácil e tão agradável. Quanto à epopeia clássica, ela é «o antepassado» do romance moderno, mas pelo meio aconteceu muita coisa. A Teoria do Romance do Lukacs há-de esclarecer-te melhor do que eu sobre algumas das objecções que levantas.
Falar de maneira «séria» da realidade não exclui o direito de representar a loucura, o delírio ou a parvoíce. A questão não é bem essa. Dá uma vista de olhos pelo capítulo XIV da Mimesis de Erich Auerbach (a edição do quinquagésimo aniversário, em tradução para inglês de Willard R. Trask, é de 2003 e foi publicada pela Princeton University Press com prefácio de Edward Said).

«… in Don Quijote’s idée fixe we have a combination of the noble, immaculate, and redeeming with absolute nonsense. A tragic struggle for the ideal and desirable cannot at first blush be imagined in any way but as intervening meaningfully in the actual state of things, stirring it up, pressing it hard; with the result that the meaningful ideal encounters an equally meaningful resistance which proceeds either from inertia, petty malice, and envy, or possibly from a more conservative view. The will working for an ideal must accord with existing reality at least to such an extent that it meets it, so that the two interlock and a real conflict arises. Don Quijote's ideal­ism is not of this kind. It is not based on an understanding of actual conditions in this world. Don Quijote does have such an understanding but it deserts him as soon as the idealism of his idée fixe takes hold of him. Everything he does in that state is completely senseless and so incompatible with the existing world that it produces only comic con­fusion there. It not only has no chance of success, it actually has no point of contact with reality; it expends itself in a vacuum.
The same idea can be developed in another way, so that further consequences become clear. The theme of the noble and brave fool who sets forth to realize his ideal and improve the world, might be treated in such a way that the problems and conflicts in the world are presented and worked out in the process. Indeed, the purity and in­genuousness of the fool could be such that, even in the absence of any concrete purpose to produce effects, wherever he appears he unwit­tingly goes to the heart of things, so that the conflicts which are pend­ing and hidden are rendered acute. One might think here of Dostoev­ski's Idiot. Thus the fool could be involved in responsibility and guilt and assume the role of a tragic figure. Nothing of the sort takes place in Cervantes' novel.
(…)
Above all, Don Quijote's adventures never reveal any of the basic problems of the society of the time. His activity reveals nothing at all. It affords an opportunity to present Spanish life in its color and fullness. In the resulting clashes between Don Quijote and reality no situation ever results which puts in question that reality's right to be what it is. It is always right and he wrong; and after a bit of amus­ing confusion it flows calmly on, untouched.» (sublinhados meus)

Friday, May 13, 2005

Hollywood


(jc)

Thursday, May 12, 2005

Don Quijote e Peregrinação

Fernando, a citação que fizeste é interessante (Bakhtin? Sklovskij?). E o Don Quijote é uma obra genial, não está em dúvida isso. Mas segundo outros especialistas, com quem estou de acordo, o romance moderno só começa quando às ficções maravilhosas dos romances de cavalaria sucedem narrativas com as características dos textos escritos pelos historiadores: verossímeis e capazes de representar de maneira séria a realidade contemporânea. A Princesse de Clèves de Madame de Lafayette seria precisamente a primeira narrativa desse género. Para Ian Watt, em The Rise of the Novel, Robinsoe Crusoe é uma das narrativas que que inaugura o romance moderno ao pôr em cena um herói que já não trabalha para o Rei nem para a Igreja mas se limita a tratar da sua vida o melhor que pode (ganhando umas massas para poder casar-se, por exemplo). Também se podia recordar o que diz Auerbach sobre o romance moderno: só no romance moderno é que personagens populares e antes picarescos se vêem reconhecido o direito de ser tratados de maneira séria, isto é, não cómica. Desta perspectiva, afinal muito na linha do Lukács da Teoria do Romance, Peregrinação é uma das primeiras narrativas modernas: o seu herói, como Crusoe, que precede, anda de aventura em aventura para ganhar a vida e lá se vai desenrascando como pode, sem a protecção do Rei ou da Igreja. O protagonista de Peregrinação é já um herói (burguês) dos tempos modernos por essa razão. E esse mito do «Mentes? Minto» não tem qualquer importância hoje. Embora se tenha provado que o que parecia mentira não o era afinal, pelo menos em muitos casos, o que interessa aqui é a existência de uma narrativa que claramente descreve já a luta do indivíduo entregue a si mesmo com os obstáculos que vão surgindo no seu caminho e o impedem de atingir os seus objectivos e de realizar-se. E os obstáculos que enfrenta o herói de Peregrinação não são exactamente moinhos de vento e fantasmas da sua imaginação, mas inimigos ou adversários reais que põem em risco permanentemente a sua vida. A diferença é enorme.

A olhar


LA (jc)

Wednesday, May 11, 2005

O que é a «linguagem literária»?

As observações que fiz anteriormente, com referências à obra fundamental de Wayne C. Booth, se ajudam a tornar mais claras as questões relativas a «quem fala» e «quem vê», não podem resolver no entanto todos os problemas que envolvem a relação de um texto com o seu «autor real», o seu «autor implicito», o seu «narrador». Aconselho a leitura paciente do livro de Booth, que está traduzido para português há bastante termpo.
Também não sei, para responder a uma observação de Pedro Mexia, se existem diferenças fundamentais entre a linguagem literária (ou que aspira a sê-lo) e a linguagem não-literária. A linguagem não-literária de certas épocas (e classes, pois tudo é político sempre) não foi reconhecida como sendo literária por outras? A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto não parece ter sido escrito com deliberadas ambições literárias - e Óscar Lopes e António José Saraiva consideram-na mais «documento» do que obra literária; mas nós concedemos hoje à obra, sem qualquer dúvida, estatuto literário. Óscar Lopes e António José Saraiva também hesitam em atribuir «valor literário» às narrativas de naufrágios da História Trágico-Marítima, pois nelas não há, dizem eles, vestígios de conhecimento do latim, que era, segundo eles, o que fazia os literatos. Mas Aubrey Bell, que não era português, não tem sobre o assunto qualquer dúvida: são obras de grande qualidade literária.
Conferir ou negar a uma texto qualidade ou estatuto literário (isto é, «legislar») é decisão arriscada. Quem se arroga o direito de conferir ou negar essa qualidade e esse estatuto não tem, mesmo se pensa o contrário, poder nem infalibilidade divinos.
É preciso saber duvidar e rir das classificações: Monsieur Jourdain «faisait de la prose sans le savoir»... e isso alegrou-o muito, como se sabe, pois imaginou-se inesperadamente investido de talentos que ignorava possuir.
Se falamos de escrita actual - poesia ou ficção, por exemplo - como conciliar a necessidade de permanecer no interior dos cânones literários com a inevitabilidade, para alguns escritores pelo menos, de desrespeitar aquilo que algumas pessoas, talvez menos habilitadas, entendem por «literatura»? A noção de «literário» varia com os indivíduos, com as épocas, até com os países - e não há regra que nestas questões decida de maneira definitiva. Sabe-se o papel que desempenha (ou pretende desempenhar) neste fabricar de reputações e de cânones o crítico, que não é forçosamente mais lúcido, nem mais culto, nem mais competente do que o autor do livro de poemas ou de ficção - mas que, hélas!, beneficia de ter um jornal, uma revista ou uma cátedra a aureolar todas as suas opiniões.
Os blogues estão a complicar, transformar e perverter as noções e definições tradicionais de «obra literária». Estas e outras reflexões similares são indícios e consequências disso. Continuo a acreditar que as grandes obras, raríssimas, não deixarão de ir surgindo nas livrarias. Mas algumas páginas de blogues estão já muito mais à frente, em acutilância, lucidez, originalidade e interesse, do que algumas das últimas pretensas estrelas postas a brilhar no firmamento pelos jornais.
Reflexão a continuar, certamente.

Monday, May 09, 2005

Para pés caros


LA (jc)

O próximo Verão


(jc)

Lisboa sombria


(jc)

Lisboa ao sol


(jc)

Blogues: Confissões ou ficções?


Os blogues, como tudo o que é escrita e fala, têm «narradores», que são os responsáveis pela linguagem (ou pelas fotografias ou desenhos) que criam o blogue. Por detrás desses «narradores» tem forçosamente de estar um(a) autor(a). Mas por muito confessional ou apenas sincera que pareça ser a linguagem de um blogue, nada permitirá nunca provar que o que nele é escrito corresponde a alguma verdade ou sinceridade de algum autor real, dessa pessoa com quem podíamos tomar um café ou falar de futebol. Nos blogues como nos livros, tudo é ficção, tudo é literatura. E como mesmo à mesa do café nada nos garante a sinceridade do «autor real» (que até pode ser incapaz de ser sincero; ou não acreditar que o «eu» coerente exista) tem de concluir-se que na ficção como na vida real tudo é ao mesmo tempo verdade e mentira, tudo não passa de encenação. Wayne Booth já tinha resolvido este problema há muito tempo, em The Rhetoric of Fiction, ao distinguir o «autor real» do «autor implícito» e do «narrador»:

Perhaps the most important differences in narrative effect depend on whether the narrator is dramatized in his own right and on whether his beliefs and characteristics are shared by the author.
The implied author (the author's "second self"). - Even the novel in which no narrator is dramatized creates an implicit picture of an author who stands behind the scenes, whether as stage man­ager, as puppeteer, or as an indifferent God, silently paring his fingernails. This implied author is always distinct from the "real man" -whatever we may take him to be - who creates a superior version of himself, a "second self," as he creates his work (chap. iii).* (University of Chicago Press, 1961)


No Ma-Schamba, JPT propõe uma explicação muita clara (e no fundo muito «boothiana»...) do problema ao afirmar, entre outras observações pertinentes, que «a publicitação de um blog produz um "eu pro-publico", talvez menos que uma personagem mas decerto outra coisa que um "eu" pessoal

Podia também recordar-se a conhecida frase francesa segundo a qual «le style c'est l'homme», com a condição de se lhe acrescentar o prolongamento de Lacan: «l'homme à qui l'on s'adresse». Conscientemente ou não, os blogues procuram o seu público, assumem-se como visão do mundo, desejam e esperam criar cumplicidades - e deixam entrever um projecto, aspirações identificáveis, nalguns casos tiques de classe e tomadas de posição corporatistas. Reduzir o «autor real» do blogue ao seu blogue, porém, seria acreditar numa transparência e na fidelidade de uma transposição que não existem. Embora o «autor real» acabe sempre por sofrer as consequências do «trabalho» do seu «narrador», de nada lhe servindo protestar que só tem com ele a relação insegura que liga o patrão a um empregado, o actor a um papel que vai representar.

* A fine account of the subtleties that underlie the seemingly simple relations between real authors and the selves they create as they write can be found in "Makers and Persons," by Patrick Cruttwell, Hudson Review, XII (Winter, 1959-60), 487-507.

Sunday, May 08, 2005

Futebol e filosofia

O que se tem passado repetidamente no futebol português prova o que, distraídos com a bola que entra ou não entra, com a camisola agarrada ou com o mergulho do avançado, com a análise metafísica da rasteira ou do empurrão, todos temos tendência a esquecer: independentemente daquilo que fazemos e somos, os «árbitros» em geral desempenham um papel decisivo nas nossas existências.

Hotel na Califórnia


(jc)

Candeeiro


(jc)

Monumento


(jc)

Casa no campo


(jc)

Saturday, May 07, 2005

Matizes


(jc)

O campo


(jc)

NO


Jalama Beach (jc)

Direcção: Sul


(jc)

Direcção: Norte


(jc)

Aniversários

Pedro Mexia tem sentido de humor, bastante lucidez. É bom poeta, além de parecer boa pessoa sem ser «beato». E sobretudo não se leva excessivamente ou totalmente a sério. De vez em quando passo pelo Fora do Mundo. Hoje diverti-me a ler o que ele escreveu sobre a celebração do aniversário do Abrupto. Curioso as pessoas queixarem-se (e zangarem-se) de não serem tão lidas como gostariam, mesmo quando são muito lidas. Tem assim tanta importância?


Em vários jornais, não há muito tempo, referências à celebração do aniversário do D. Quixote de Cervantes. Colóquios, conferências, os rituais banais do costume. Achei piada ao facto de uma universitária latino-americana em Nova Iorque e um universitário espanhol em Portugal terem pretendido que o Dom Quixote é um livro que inicia a modernidade - ou qualquer coisa assim. Devem estar a brincar connosco. Dom Quixote é um livro genial e divertido, mas passadista. A nostalgia espanhola pela idade das nobrezas permite a sátira, mas como Auerbach já referiu com clareza suficiente, entendimento e problematização da complexidade do mundo novo é coisa que não caracteriza o romance de Cervantes. Por isso o Dom Quixote não pode competir, em lucidez e modernidade, com a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, narrativa onde a luta pela vida e a aventura arriscada por razões pessoais anunciam a sociedade que é a nossa hoje e o romance da nossa época. Não há muito tempo um outro escritor latino-americano (Carlos Fuentes) escrevia num jornal de Los Angeles que Machado de Assis não tinha a antecedê-lo nenhuma tradição romanesca importante - e explicava as obras-primas e o génio do romancista brasileiro... pelo Dom Quixote, que seria o antepassado literário de Machado de Assis. N'importe quoi.

Friday, May 06, 2005

Fernando Pessoa: Pride and vanity

Pride is the emotional certainty of our own greatness. Vanity is the emotional certainty that others perceive it in us, or at least attribute it to us. The two feelings do not necessarily go together nor are they by their nature opposed. They are different yet compatible.
Pride, when it exists alone, without vanity, manifests itself as timidity. A man who believes he is great but is unsure as to whether others will recognize him as such, fears comparing the opinion he holds of himself with the opinion others might have of him.
Vanity, when it exists alone, without pride (something which, though rare, is quite possible) manifests itself as boldness. A man who is sure that others acknowledge his value and courage need fear nothing from them. Physical and moral courage can exist without vanity, boldness cannot. By boldness I mean the confidence to take the initiative. Boldness can exist without any accompanying courage, physical or moral, for these personal qualities are of a different order altogether and not to be compared with boldness.


(The Book of Disquiet, translated by Margaret Jull Costa, Serpent’s Tail)

Thursday, May 05, 2005

Leão satisfeito a descansar

Leão tranquilo e seguro de si





The lion is a magnificent animal that appears as a symbol of power, courage and nobility on family crests, coats of arms and national flags in many civilizations. Lions at one time were found from Greece through the Middle East to northern India, but today only a very small population remains in India. In the past lions lived in most parts of Africa, but are now confined to the sub-Saharan region.
Most cat species live a fundamentally solitary existence, but the lion is an exception. It has developed a social system based on teamwork and a division of labor within the pride, and an extended but closed family unit centered around a group of related females. The average pride consists of about 15 individuals, including five to 10 females with their young and two or three territorial males that are usually brothers or pride mates.

Verde com picos


(jc)

Verde e promissor


(jc)

Pessoa: The pressure of a known name


Brancusi, The Muse



«If anyone wishes clearly to understand what is meant by the pressure of a known name, he need but figure to himself the following hypothesis. Let him suppose a book of poems, published today, by an unknown poet. Let that book be composed of great poems of great poets. Let it be submitted, in the course of reviewing, to a competent critic who, by some odd chance, might happen to be ignorant of every poem there printed, even though acquainted with every poet represented. Does anyone suppose that the competent critic, even if he had it in his power to write, say, the leading article in The Times Literary Supplement (no less would be deserved by such a book), would write anything more than a short notice, in 6-point type, in the bibliographical part of that paper? And the poet would be lucky if he got a notice in the text pages.
The pressure of a known name does not mean that the critic will think a poem good or bad in function [because] of a known name. But he will give careful attention, word by word and phrase by phrase, to the poem of a reputed poet; he will do nothing of the sort [for] the absolute stranger. If anyone will take the trouble, as I once did, either to pass off as the work of an unknown poet, or of his own self (this was what I did), the poem of a celebrated poet; or if he will pass off some unknown lines as [those of] a celebrated poet, he will discover this very easily. In both cases and for opposite reasons the lines must be good or the test will not be just....»


(Fernando Pessoa, Always astonished, Selected Prose, translated
by Edwin Honig, City Lights Books, San Francisco, 1988)

Amarante


(jc)

Wednesday, May 04, 2005

Isla Vista VI


(jc)

Isla Vista IV


(jc)

Tuesday, May 03, 2005

Bicicletas


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Escadas da praia


(jc)

Na praia


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Céu


(jc)

Monday, May 02, 2005

Rápido


(jc)

Estrada no campo


(jc)

Responsabilidades


(jc)

Estrada na cidade


(jc)

Sunday, May 01, 2005

Patrício da Silva, compositor


(jc)


Patrício da Silva was born in Portugal, on 17 January 1973. He received formal musical training at the Lisbon College of Music (1992-95) where he studied piano and composition (B.M. in piano, 1995). Following his move to the USA, da Silva pursued his composition studies with several American masters. As a recipient of the Betty Freeman Foundation Scholarship in Composition, he was a student of Morton Subotnick, Stephen L. Mosko and the late Mel Powell at the California Institute of the Arts (MFA, 1999). With support from the Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (Portugal), he completed the Ph.D. program in composition at the University of California (2003), having studied composition with William Kraft, electronic and computer music with Curtis Roads, and, at UC Santa Cruz, algorithmic composition, and music with artificial intelligence with David Cope. In Europe, further education includes, among others, the composition seminars at the Darmstadt New Music Courses, and the Stockhausen Courses. His work 4 Pianos was awarded the Gould Family Foundation Young Composers Award (2000), and, among candidates from the seven major universities in southern California, the Ojai Festival Music for Tomorrow (2001). Recent performances have taken his work to Zipper Hall, Different Trains concert series, Musical Explorations, The Resistance Fluctuations 2000 New Music Festival, Ojai Music Festival, Spectrum New Music Festival, the Los Angeles County Museum of Art (LACMA), and Cistermúsica. He was one of the founding members for Different Trains, a Los Angeles based composer’s consortium with an active concert series between 1999-2001, and he has served as co-director for the Spectrum New Music Festival. During the academic year of 2003-04, da Silva worked as invited postdoctoral researcher at the Institut de Recherche et Coordination Acoustique-Musique (IRCAM) in Paris. He’s currently an Invited Research Fellow with the Computer Music Research Lab at the University of Plymouth (UK), funded by the Fundação de Ciência e Tecnologia. His current research focus on the modeling of compositional processes and music grammars.Mr. da Silva’s works are available on-line through http://www.spectrumpress.com

Schopenhauer: O homem que pensa...

Quem muito «lê», pouco aprende, pouco sabe...

«(…) a man may have a great mass of knowledge, but if he has not worked it up by thinking it over for himself, it has much less value than a far smaller amount which he has thoroughly pondered. (…) Thinking must be kindled, like a fire by a draught; it must be sustained by some interest in the matter in hand. This interest may be of purely objective kind, or merely subjective. The latter comes into play only in things that concern us personally. Ob­jective interest is confined to heads that think by nature; to whom thinking is as natural as breath­ing; and they are very rare. This is why most men of learning show so little of it.
It is incredible what a different effect is pro­duced upon the mind by thinking for oneself, as compared with reading. (…) What I mean is that reading forces alien thoughts upon the mind—thoughts which are as foreign to the drift and temper in which it may he for the moment, as the seal is to the wax on which it stamps its imprint. The mind is thus entirely under compulsion from without; it is driven to think this or that, though for the moment it may not have the slightest impulse or inclination to do so.
But when a man thinks for himself, he follows the impulse of his own mind, which is determined for him at the time, either by his environment or some particular recollection. (…) So it is that much reading de­prives the mind of all elasticity; it is like keeping a spring continually under pressure. The safest way of having no thoughts of one's own is to take up a book every moment one has nothing else to do. It is this practice which explains why erudi­tion makes most men more stupid and silly than they are by nature, and prevents their writings obtaining any measure of success. (…)
If a man's thoughts are to have truth and life in them, they must, after all, be his own fundamental thoughts; for these are the only ones that he can fully and wholly understand. To read another's thoughts is like taking the leavings of a meal to which we have not been invited, or putting on the clothes which some unknown visitor has laid aside. (…) Reading is nothing more than a substitute for thought of one's own. (…) A man should read only when his own thoughts stagnate at their source, which will happen often enough even with the best of minds. (…)
A man may have discovered some portion of truth or wisdom, after spending a great deal of time and trouble in thinking it over for himself and adding thought to thought; and it may some­times happen that he could have found it all ready to hand in a book and spared himself the trouble. But even so, it is a hundred times more valuable if he has acquired it by thinking it out for himself. For it is only when we gain our knowledge in this way that it enters as an integral part, a living mem­ber, into the whole system of our thought; that it stands in complete and firm relation with what we know; that it is understood with all that underlies it and follows from it; that it wears the color, the precise shade, the distinguishing mark, of our own way of thinking; that it comes exactly at the right time, just as we felt the necessity for it; that; it stands fast and cannot be forgotten. (…)
The man who thinks for himself, forms his own opinions and learns the authorities for them only later on, when they serve but to strengthen his belief in them and in himself. But the book-philosopher starts from the authorities. He reads other people's books, collects their opinions, and so forms a whole for himself, which resembles an au­tomaton made up of anything but flesh and blood. Contrarily, he who thinks for himself creates a work like a living man as made by Nature. For the work comes into being as a man does; the think­ing mind is impregnated from without, and it then forms and bears its child.
Truth that has been merely learned is like an artificial limb, a false tooth, a waxen nose; at best, like a nose made out of another's flesh; it adheres to us only because it is put on. But truth acquired by thinking of our own is like a natural limb; it alone really belongs to us. This is the fundamental difference between the thinker and the mere man of learning. (…) Reading is thinking with some one else's head instead of one's own. To think with one's own head is always to aim at developing a coherent whole—a system, even though it be not a strictly complete one; and nothing hinders this so much as too strong a current of others' thoughts, such as comes of continual reading. (…)
The mind that is over-loaded with alien thought is thus deprived of all clear insight, and is well-nigh disorganized. This is a state of things observable in many men of learning; and it makes them inferior in sound sense, correct judgment and practical tact, to many illiterate persons, who, after obtaining a little knowledge from without, by means of experience, intercourse with others, and a small amount of reading, have always subor­dinated it to, and embodied it with, their own thought.»


(The Art of Literature, translated by T. Bailey Saunders, Dover Publications, Mineola, N. Y. , 2004)


Recanto


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Árvores magras


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Bucólico


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