Tuesday, August 30, 2005

Relações

"C'est l'une des lois fondamentales de la communication que tout comportement en présence d'autrui a valeur de message, en ce sens qu'il définit et modifie le rapport entre les personnes. Tout comportement dit quelque chose".

"La volonté de renoncer à son indépendance, de troquer le témoignage de ses sens contre le sentiment confortable, mais déformant la réalité, d'être en harmonie avec un groupe, est bien entendu l'aliment dont se nourissent les démagogues."

"L'un des charmes du travail avec les agents doubles, réside dans le fait qu'ils sont rémunérés par l'ennemi."



Paul Watzlawick, La Réalité de la Réalité, Confusion, désinformation, communication, Paris, Éditions du Seuil, 1978 (1976)

Monday, August 29, 2005

Casas na Noruega



















































(jc)

Agosto

Quem está e não está,
os dias passam,
esqueceste os lábios
e as mãos,
quem em vez
de mim, em
vez de eu estar,
quem?

Palavras,
também o ruído
dos motores,
que ficou do
que aconteceu,
ninguém se
lembrará, não
há memórias, nada
rompeu o liso
lago de areia.

Os dias passavam,
ruas com raparigas
e rapazes, eu
sempre só, onde
estavas, dizias
que estavas,
nunca
estavas,
nunca estás?

À noite o vento
soprava nas árvores
da cidade. E os
mortos dormiam,
esquecidos. E eu
pensava: quem
em vez de estar
não está, porquê
o filme sem sentido,
a ficção a atormentar
a carne que não
compreende,

porquê o tédio,
a paixão, o medo,
e depois o nada, o
vazio, o deserto?

Já não há países perfeitos

A Noruega fascina-me: as florestas, os lagos, o mar, as montanhas, a pureza do ar, a limpidez do céu, a neve, os largos espaços. Os impostos são exorbitante e não há infantários gratuitos para as crianças. Quem necessitar de ver um psicólogo paga do seu bolso. Os médicos enganam-se tanto nos diagnósticos e dão tantas provas de arrrogância e descuido como noutros países. O sistema de segurança social francês é de longe e desde há muito tempo superior ao norueguês, embora os noruegueses pensem que não. O meu amigo que morreu (em Oslo, onde era professor universitário) porque o médico interpretou as dores que ele sentia no abdómen como sintoma de ansiedade, mandando-o consultar um psiquiatra, teria morrido se não se tivesse perdido tanto tempo a diagnosticar o cancro que ia alargando os seus domínios a outros lugares do corpo? Uma pessoa que me é muito próxima chegou ao hospital para iniciar a quimioterapia depois de operação grave e tinham-se esquecido de a inscrever na lista, isto seis semanas depois da operação e sem acompanhamento sério de qualquer espécie. Que se passem coisas assim em países que se pretendem superiores aos outros em protecção social é surpreendente e preocupante. Mas entretanto um adulto não pode comprar uma cerveja num supermercado depois das 6 ou das 8 da tarde, segundo os dias, e o Estado detém o monopólio do álcool, que vende a preços exorbitantes. O tabaco também custa fortunas, mas enfim, a gente hoje tem tendência a perdoar neste caso a ditadura do poder estatal. Às vezes digo aos meus amigos noruegueses: e vocês não se revoltam contra esta ditadura abusiva dos burocratas, do Governo, do Estado? Não, não se revoltam, por enquanto aceitam tudo. Devem achar que está bem assim ou que não vale a pena tentar mudar as coisas. Aliás nem toda a gente tem razões para se queixar. Vinha eu no metro de Holmenkolen e tive por companheiro de viagem um rapaz dos seus 30 e tal anos, de bigode, bem vestido e bem disposto. Ainda na estação onde esperávamos o metro jé o tinha visto a meter-se com as pessoas, a namoriscar as pequenas. Eram apenas umas 6 da tarde, mas visivelmente o rapaz estava com os copos. Depois pôs-se a falar comigo e explicou-me: vivia numa instituição para alcoólicos, tinha televisão no quarto, davam-lhe de comer, etc. E eu a pensar: é por isso que estes fiskepudins querem sempre sacar o máximo aos pais divorciados de esposas norueguesas mesmo quando eles são cumpridores e até dão aos filhos muito mais apoio do que o exigido pela lei. Cheguei a pensar: casar com uma norueguesa é um erro; erro mais grave ainda é divorciar-se dela. Mas o jovial rapaz de bigode que ia connosco no metro parecia um cidadão despreocupado com o seu futuro, um homem feliz. O Estado, como um pai tolerante e atento, não o abandonava à sua sorte - e ele tinha consciência disso. Quando a rapariga loira de calças brancas que ia sentada no banco à minha frente se levantou para sair na estação seguinte o simpático bêbedo não resistiu e ao vê-la passar ao seu lado, pumba, deu-lhe uma palmada no rabo. Ela não reagiu ao gesto do bêbedo, ignorou-o. Ele deve ter ficado convencido de que ainda era cedo para apanhar o barco e regressar ao "hotel": levantou-se e foi a correr atrás dela. Grande, formidável país este, pensei eu, reaccionariamente, com os meus botões.

Contra-poder?

Se os blogues são um contra-poder como se explica e justifica que alguns políticos e jornalistas tenham blogues? São ao mesmo tempo "funcionários" activos do poder e do contra-poder? Fazem umas coisas "lá" (quais) e outras "aqui" (quais)? Estamos perante mais um caso disfarçado de existência de heterónimos, perante mais uma prova de que a coerência absoluta e a unidade da personalidade são um mito da nossa civilização?

Sunday, August 28, 2005

Fruta



















(jc)

Lago de Sogn

















(jc)

Vidro

















(jc)

Thursday, August 25, 2005

A vida quotidiana nas grandes cidades

















(jc)

Mutilado
























Oslo (jc)

Roda



















(jc)

O pai

























(jc)

Wednesday, August 24, 2005

Peer Gynt

























Na Universidade de Oslo (jc)

In memoriam













































(jc)

O que eu pensei há bocado

Os blogues mais lidos, mais populares, tendem a assemelhar-se aos jornais em papel e à imprensa comercial em geral. Mas ser surpreendido e estimulado por pontos de vista mais privados e discretos, mais extravagantes ou originais, à margem de ambições imperialistas de domínio, educação e manipulação da opinião, dá um prazer especial.


Recordar uma pessoa que faleceu e foi cremada é uma experiência dolorosa, cruel - porque da pessoa que nós conhecemos já só resta a cinza sem forma, um pó sem identidade perceptível. A ilusão do desaparecimento progessivo e da desagregação lenta não nos é concedida. O choque é brutal.


Tendo em conta tudo o que há para fazer, descobrir, experimentar, apreciar, aprender, construir - quando se aprendeu enfim minimamente a arte de viver - o tempo que é concedido aos seres humanos é uma miséria. A invenção da eternidade prova que não nos conformamos à ideia de um desaparecimento tão rápido, de uma passagem tão fugaz pela terra. No que me diz respeito, e por razões evidentes, eu sou a favor da existência de Deus e da eternidade. Estou seguro de que Deus, se existe, não pode assemelhar-se minimamente à ideia imperfeita e cruel que da sua "pessoa" se fizeram e fazem os seres humanos (em parte para meter medo a quem não tinha medo do rei nem do papão, isto é, para conferir à Lei uma justificação metafísica).


A quantidade de informação, a impressionante e quotidiana erudição de O almocreve das petas. Outros blogues que revelam uma vocação e curiosidade intelectual semelhantes: Muito cá de casa; Cartografia do exílio.



N. B. As fotografias que aparecem neste blogue são digitais mas foram tiradas por mim, são originais e não foram manipuladas no mau sentido do termo. :-)

A máscara





















(jc)

Frame
























(jc)

Unfocused
























(jc)

La vie quotidienne dans les grandes villes


















(jc)

Tuesday, August 23, 2005

Patos bravos


















Sporting? Que falta de classe, que falta de profissionalismo,
que falta de nervo, que treinador tão incompetente e tão
confuso, que guarda-redes tão tonto, que que que...
... Até quando?

Triciclo
























(jc)

Waiting





















(jc)

Unfocused






















(jc)

Bicicleta





















(jc)

A poesia, etc.

De acordo, os poetas são "loucos", estão ou ficam "fora de si" quando escrevem, a lógica deles não é a dos negócios nem a da lei, nada de confusões. A gente sabe tudo isso. O estado poético é como o estado amoroso e o estado religioso, os gregos já tinham classificado essas coisas. Só que convém não abusar, não é? Convém não ficar como os meninos mal educados e birrentos que fingem até as zangas e os berros só para impressionar os pais e os convidados ("fingem tão completamente que chegam a fingir que é dor a dor que deveras sentem" ?). Há embriaguês e embriaguês, loucura e loucura, nem todas se equivalem. E nem todas as loucuras são genuínas porque as pessoas aprendem depressa a imitar sem ter de correr riscos excessivos nem pôr em perigo a própria vida.


Um amigo meu, que é brilhante ensaísta sobretudo, diz a rir-se:
- Poesia? Bah! São tópicos e temas, temas e tópicos...
Encanta-me a condescendência porque apesar de estar em grande parte de acordo com o que ele diz ainda acredito que a poesia é necessária e possível - para quem tem alma e pernas, dores e alegrias, asas que cheguem lá. Respondo, também a rir:
- Pois, é como os ensaios: tópicos e temas, temas e tópicos...
É que se a poesia se banalizou de maneira ridícula, a produção ensaística actual na maior parte dos casos também é muito pobrezinha. E não são duas citações de Foucault, três de Derrida, uma de Paul de Man, quatro de Baudrillard que salvarão do anonimato e da indigência muitos académicos. Sim, eles cozinham os artigos como os grandes chefes de cozinha, salgando e apimentando, temperando com isto e com aquilo. Uns pós de Lyotard, uns pós de Judith Butler, umas migalhas de Bloom, uns vestígios de Lacan, etc. Mas que insípidos e indigestos os pratos que nos propõem.

Massificação=mediocridade. Mas tudo com muito estilo. Académico. A profissão alimenta-se perpetuamente das suas próprias excreções.


Alguns livros de poemas sobre obras musicais fazem-me pensar, na sua ingenuidade provinciana, num rapazinho que acaba de comprar um leitor de CDs e se põe a ouvir, fascinado, pela primeira vez, Chopin, Schumann, Beethoven, Mozart. Exaltado, anota o que sente, para transmitir ou explicar aos outros, em palavras, a espantosa descoberta, a gloriosa experiência. Só que quem já ouviu muito essa música só pode sorrir perante tanta inocência juvenil.

Monday, August 22, 2005

Coisas que eu pensei hoje

1. Que uma grande parte da poesia que se escreve parece ter sido escrita numa redoma de vidro especial, onde os escritores se afastam da lógica do mundo real quotidiano (o que é regido pelo código civil, por exemplo) permitindo-se muitas divagações pueris, muitas parvoíces. Deve ser por isso que o Vasco franze o nariz e diz: a poesia não se vende. Pudera, claro que não se vende, quem é que tem paciência para aturar excentricidades nem sequer muito interessantes quando tem facturas a pagar e filhos a educar e revisões do carro em que pensar? A realidade é muito sensata. Escrever poesia sem se afastar da sensatez da realidade, sem levantar os pés do chão, sem se tornar infantil nem irresponsável nem piegas nem engraçadinho, aí está o que poderia ser uma boa norma a adoptar, o desafio que valeria a pena.

2. Percebi por que razão Fernando Pessoa inventou os heterónimos. Eles tinham de falar ou Pessoa de falar através deles, mas quem é que aceitaria ser confundido na vida real com tal gente, ser reduzido no espírito do público crédulo e pouco rigoroso a indivíduos tão cheios de manias, inclusivamente a da originalidade filosófica e artística, a de uma exigência abusiva para com Deus e a vida? Quem é que aceitaria comprometer-se definitivamente e seriamente nas frases que os heterónimos escreveram? Fernando Pessoa manteve a distância, não deu confiança, protegeu a sua integridade. É por isso que da sua verdadeira pessoa e personalidade sabemos muito pouco e nunca saberemos mais, embora os professores e os críticos imaginem o contrário.

3. Que o pensamento é descontínuo e nós vivemos na discontinuidade. Que escrever, seja onde for e a que propósito for, e contar histórias aos amigos, por exemplo, são maneiras de fabricarmos abusivamente coerência. Que não nos apanhem sem ideias, sem uma opinião, sem ciência. Por excesso de desejo de coerência e de obras acabadas acabamos por mentir imenso. Convém, por essa razão, desconfiar muito de tudo o que nos sai da pena ou da boca. Não somos nós que falamos, como diziam os estrutualistas, é o "sistema" que fala em nós e através de nós. E o que é o "sistema"? O sistema é uma máquina que receia o vazio e se aterroriza quando dá com fendas. Histérico, o sistema tenta preencher o mais depressa possível todas as fendas, quer eliminar imediatamente todos os espaços vazios, não tem tempo nem a maturidade que permite esperar pelo que poderia ocupar esses lugares com toda a justiça e proveito.

Eléctricos

















(jc)

Belas, atraentes, perigosas
















































(jc)

A roda



















(jc)

"Feira Popular" em Oslo


















(jc)

Motas no Centro de Oslo


















(jc)

Café em Oslo no Verão

















(jc)

Coisas que incomodam

Ver um homem debruçado sobre um caixote do lixo a comer uns restos de frango à meia-noite e tal. Em Lisboa ou seja onde for. Não é uma imagem literária, é um facto.

Eu estava sentado na esplanada de um café no Campo Pequeno e aproximou-se um cavalheiro:
- Sr. Arquitecto, tem cinquenta cêntimos?
Não sou arquitecto, mas meti a mão no bolso e tirei umas moedas, dei-lhe os cinquenta cêntimos. Agradeceu e foi-se embora. Fiquei com cara de parvo: pensava que me estava a pedir troco ou coisa assim.

Coisas de que a gente gosta

Imitando o estilo de Erlend Loe, que gosta de listas. Coisas de que a gente gosta:

1. Começar a ver Lisboa do avião, antes de aterrar, e sentir que voltamos a casa, por muito mal arrumada e maltratada que ela esteja.

2. Voltar à internet depois de uns dias de interrupção e reencontrar algumas "vozes" conhecidas, familiares e amigas, como o blogue Cuidado de Si (antes Cura di Sè).

3. Rever as amigas e os amigos ou falar-lhes ao telefone.

4. Descobrir que o Sporting ganhou ao Belenenses.

5. Poder comprar, no aeroporto de Lisboa, várias revista de motas. Hesitar, a seguir, entre a Honda Hornet, a Yamaha, uma Suzuki, uma BMW e outras, mas o teste decisivo serão as lições de aprendizagem: se se fazem asneiras graves, nem uma 125, quanto mais uma 600 (N. B. parece que com algumas 600 os principiantes podem progredir sem se aborrecerem nem precisarem de trocar de mota, logo, economiza-se dinheiro).

Thursday, August 18, 2005

Erlend Loe: Naïf. Super

O Vasco ofereceu-me o livro na tradução publicada pela Fenda. Mas se eu tivesse prestado alguma atenção à crítica que sobre ele apareceu no "Mil Folhas" não o tinha lido. A menina que escreveu essa crítica ou não percebeu nada do que leu ou imagina-se muito super ou estava de mau humor. O livro é delicioso, surpreende, lê-se com prazer. Hesitei, numa livraria de Oslo, entre o original, a versão inglesa, a versão francesa. Acabei por comprar a última, mas como volto a Oslo hoje creio que vou comprar também a versão original. O meu norueguês está longe de ser perfeito, mas tem progredido, para surpresa minha. Esta noite estive a ler a conversa do protagonista com um miúdo do infantário, seu vizinho. Tratava-se de saber quem tinha visto mais animais. A narração aparentemente simplória, falsamente ingénua, é de uma eficácia que obriga a reflectir. Parece um livro escrito para a Fenda. Há muito tempo que não encontrava um escritor original. Erlend Loe é original, tem um estilo próprio. Pode pensar-se na influência de outros autores sobre a sua escrita, mas tudo foi filtrado pela necessidade, pelo talento, pela vocação, pela coragem de ter estilo próprio. Aconselho.

Wednesday, August 17, 2005

Kringsjå



















(jc)

Holmenkolen



















(jc)


Driving



















(jc)

Telhados de colmo


















(jc)

Ver, escrever

Na cidade ou no campo, gosto de andar a pé. Muitas vezes, mas não sempre, levo a máquina fotográfica comigo e registo o que vejo: casas, ruas, árvores, montanhas, planícies, cafés, jardins, rios, o mar, pessoas que cruzam o meu caminho e que provavelmente nem se apercebem de que são fotografadas. A digitalização da fotografia tornou tudo mais fácil.

Escrever sobre o que se vê é difícil e arriscado, a tentação de avaliar confunde-se com o desejo de registar ou de contar. É preciso cuidado com a nossa visão do mundo, não se deve usá-la a torto e a direito irreflectidamente. Só que não a usar de todo é demitir-se da existência e da responsabilidade do sentido.

Para escrever é preciso mais tempo do que para fotografar. Para escrever ficção é preciso mais tempo do que para escrever poesia. Tudo é ficção, evidentemente. A poesia exige maior capacidade de condensação, maior capacidade de isolar o que é essencial e importante. A respiração da poesia é diferente da da prosa de ficção, embora as fronteiras entre as duas se tenham esbatido e nem sempre sejam claras (nem necessárias). Para escrever em prosa é necessário mais tempo porque falar e contar coisas toda a gente pensa que pode e que é fácil, mas surpreender-se, investigar, redescobrir o mundo e entender ou corrigir o sentido do que acontece enquanto se escreve está ao alcance de muito poucos. Da prosa esperam-se histórias, da poesia espera-se arte, é assim. Como se nos dois casos não tivesse de haver histórias e arte simultaneamente. Como se nos dois casos a ambição da arte não fosse igualmente e em permanência um grande perigo, o maior perigo.

A literatura portuguesa actual na quase totalidade dos casos só me interessa profissionalmente. Não me ensina nada, não me propõe uma experiência mais relevante nem mais vasta do que a minha nem do que a literatura que lhe é anterior - nem do ponto de vista da linguagem ou da escrita nem do ponto de vista de outras formas de experiência. Para quê perder tempo, então?

Claro, presunção e água benta cada um serve-se da que lhe apetece. No fim do percurso não vai tudo a dar no mesmo?

É preciso assumir minimamente qualquer coisa. Mesmo que seja apenas o tédio.

Acrescentar, para relativizar a "injúria": e na literatura ACTUAL de outros países, na medida em que tens conhecimento dela, e pelo menos nas línguas em que sabes ler, encontras assim tanta "literatura" realmente importante? Resposta possível: tomara eu ter tempo para ler tudo.

Os clássicos, mesmo quando eram mais jovens do que nós quando os lemos, escreveram obras importantes e que continuam a interessar-nos. A diferença está aí.

Rimbaud, mas não só.

O que não quer dizer que todas as pessoas mais velhas do que nós quando escreviam nos podem ensinar ou revelar alguma coisa.

Um dia, em breve, se tiver coragem, compro uma Yamaha 600 azul (não digo o modelo para não fazer mais publicidade gratuita) e vou começar a descobrir (calmamente, prometo-me, pois sei os riscos que se correm em cima de duas rodas) outras paisagens, o mundo de outras perspectivas. Levo a máquina fotográfica comigo, evidentemente, e talvez deixe de fotografar a realidade de maneira tão figurativa, talvez ceda com mais frequência e mais deliberadamente à tentação da arte e me importe menos em dar a conhecer, sem as deformar excessivamente, as "coisas" e pessoas que encontro e descubro. Ou talvez não, logo se vê.

Auto-retrato
























(Estêvão Camilo)

Tuesday, August 16, 2005

Escadas

















(jc)

Gémeas

















(jc)

Igreja medieval

















(jc)

Janelas
























(jc)

Pinheiros

















(jc)

Monday, August 15, 2005

IBSEN
























Estátua de Ibsen diante do
Teatro Nacional em Oslo. (jc)

O túmulo de Ibsen no cemitério
de
Ullevålsveien em Oslo. (jc)

Visões do mundo importadas

Antigamente havia um programa de rádio em Portugal intitulado "Rádio Moscovo não fala verdade". Era um programa ridículo e histérico. A Rádio Moscovo era clandestina e proibida mas a rádio nacional fazia-lhe publicidade indirectamente. Hoje temos a CNN, bem embrulhada em rostos simpáticos e cenários brilhantes de muitas cores, e ninguém protesta, antes pelo contrário, ver as notícias na CNN é como comer rebuçados. Os russos, já se sabe, são desorganizados e falharam a revolução deles. Os americanos também fazem muitas asneiras e dão repetidas provas de incompetência, mas a "democratização" em versão americana não parece que esteja em crise séria por ora. E a Europa aceita tudo o que lhe dão sem se interrogar. Como se fosse inocente e sem consequências os europeus andarem a ver o mundo através dos olhos americanos.

Sunday, August 14, 2005

Casas





































(jc)

Escadas de ferro


















(jc)

Túnel


















(jc)

De bicicleta à beira do rio

















(jc)

Rapariga sentada nas escadas























(jc)

Rua antiga em Fredrikstad


















(jc)

Cilindro





















(jc)

Saturday, August 13, 2005

Encore aujourd'hui

1
Encore aujourd'hui
Je songe à elle,
Éblouissante avec ses guirlandes de fleurs de campaka,
Son visage pareil au lotus épanoui,
À sa taille, une mince ligne de duvet,
Le corps frémissant de désir au sortir du sommeil -
Ma bien-aimée –
Sortilège
Dont, par ma folie,
J'ai été dépossédé!

2
Encore aujourd'hui
Si je revoyais
Ma bien-aimée
Au visage semblable à la lune en son plein,
Riche de sa jeunesse fraîche éclose,
Aux seins gonflés,
À l'éclatante beauté,
Au corps torturé par les ardentes flèches de l’Amour,
Ce corps, je saurais aussitôt comment le rafraîchir!

3
Encore aujourd'hui
Si je revoyais
Mon aimée aux yeux de lotus,
Lasse du fardeau de ses seins trop lourds,
Je la serrerais dans mes bras
Et, tel un fou,
Boirais sa bouche,
Comme l'abeille, de tout son soûl,
Boit le lotus.

4
Encore aujourd'hui
Il me souvient d'elle
Dans l'amour,
Le corps alangui, sans force:
Sur ses joues pâles tombe l'essaim de boucles de sa chevelure
Et, comme pour contenir en nous le secret de notre faute,
Les tendres lianes de ses bras s'enlacent à mon cou.

5
Encore aujourd'hui
Il me souvient
Dans nos veillées d'amour
De ses grands yeux
Aux prunelles enjouées et frémissantes.
Ô mon oie sauvage,
Dans l'étang de lotus de l'amour,
Qui, par pudeur,
À l'aurore,
Courbe la tête.

6
Encore aujourd'hui
Si je revoyais
Ma bien-aimée aux longs yeux,
Son corps mince en proie à la fièvre d'une longue séparation,
Alors je l'enlacerais étroitement,
Je fermerais les yeux
Et jamais plus je ne la quitterais.

7
Encore aujourd'hui
Il me souvient d'elle,
De notre danse d'amour tenant les rênes,
Belle comme la lune en son plein,
Son corps mince éperdu de désir
Ployant sous le faix de ses larges hanches et de ses seins,
Drapée dans les mouvants faisceaux de sa chevelure.


Poèmes d’un Voleur d’Amour, attribués à Bilhana, traduit
du sanskrit par Amina Okada, Gallimard, 1988

Coimbra antiga (e moderna)
















(jc)

Céu de Coimbra











































(jc)

Céu de Coimbra

















(jc)

Friday, August 12, 2005

Ota e TGV, blogues e democracia

1. Também me parece mal. País pobre e em dificuldades tem de assumir a sua pobreza e as suas dificuldades. Manias de ricos são para ricos. Mas a minha opinião foi-se formando ouvindo as pessoas falar no assunto. Terão razão, como sou levado a crer?

Seja como for, também me parece mal, também sou contra o aeroporto da Ota e contra o TGV. Mas não entro na campanha dos blogues neste Sporting-Benfica da Ota e do TGV porque a exigência de democracia directa que os blogues representariam também me inspira cautela e cepticismo.

2. O blogue que iniciou a campanha, se entendi bem, marcou pontos políticos contra o Governo ao convencer outros blogues de que o que está em causa é a democracia. Mas esse blogue está conotado com uma pessoa que está longe de ser um exemplo de imparcialidade democrática nas suas opiniões e que além disso tem todo o interesse (político) em atacar os pontos de vista e as decisões do Governo. A mentalidade e o estilo desse blogue, aliás, sempre me pareceu que mantinham traços de uma rigidez soviética antiga, muito escolar. Eu sei, é um blogue de direita. Mas isso não impede aquilo.

3. Marcar pontos neste debate foi uma boa jogada do Abrupto. Mas jogadas são jogadas, jogadores são jogadores. A realidade é mais vasta.


P. S. dia 15 de Agosto: Recebi hoje uma mensagem de Luís Aguiar-Conraria assinalando-me que a iniciativa de exigir explicações ao Governo nestes casos foi iniciada por outros blogues e não pelo Abrupto - embora tenha sido o Abrupto a dar-lhe mais visibilidade. O Abrupto, nesse caso, terá apanhado o comboio em andamento e politizado partidariamente uma iniciativa alheia.

Céu com chaminé vermelha


















(jc)

Confidências

Vinhos brancos: Chablis, Sancerre, Pouilly Fussé e os brancos de Mâcon. Mas os Pinot Grigio italianos não são nada maus. E o Duas Quintas branco desta noite fait très très bien l'affaire aussi, fiquei surpreendido. Os brancos da Califórnia enjoam-me. Aliás, palavra de não-especialista: vinhos brancos que enjoam é porque definitivamente são maus, evitar.

Episódios da vida amorosa

Vigeland's Park (jc)

Vigeland's Park
























(jc)

Vigeland's Park





















(jc)

Casa no campo

















(jc)

A quinta
















(jc)

Formas, cores

















(jc)

Thursday, August 11, 2005

Vigeland's Park
























(jc)

Vigeland's Park


















(jc)

Vigeland's Park


















(jc)

Câmara de Oslo e porto



















(jc)

Barcos



















(jc)

Ciclista


















(jc)

O amor


















Vigeland's Park (jc)

Cidade
























(jc)

A banda no parque Vigeland

















(jc)

Une passante


















(jc)

Sunday, August 07, 2005

Portugal a arder, edição 2005



Portugal a arder, versão 2005

Na Noruega está a chover. Mas no dia 4 de Agosto eu ia de carro de Coimbra para Lisboa e depois de Pombal havia mais de 6 incêndios. Fui tirando fotografias.


Leopardi (1798-1837): L'Infinito

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
E questa siepe, che da tanta parte
Dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma, sedendo e mirando, interminati
Spazi di là da quella, e sovrumani
Silenzi, e profondissima quiete
Io nel pensier mi fingo; ove per poco
Il cor non si spaura. E come il vento
Odo stormir tra queste piante, io quello
Infinito silenzio a questa voce
Vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
E le morte stagioni, e la presente
E viva, e il suon di lei. Così tra questa
Immensità s'annega il pensier mio;
E il naufragar m'è dolce in questo mare.

Barcos

















(jc)

Ao Norte

















(jc)

Saturday, August 06, 2005

Parentescos

Pátria, família, geração, profissão. Pensamos que lhes pertencemos porque temos sentimentos, interesses, memórias, projectos em comum com outras pessoas que habitam esses "lugares", que pertencem a esses "grupos". Um dia descobrimos que já não temos grande coisa em comum ou nada em comum com as pessoas que lá estão e que até temos mais em comum com outras. As implicações, além do acréscimo de independência e de solidão nascido dessa lucidez, são inúmeras.

Farol















(jc)

Casas na Noruega
















(jc)

Umberto Saba: Caffè Tergeste


Caffè Tergeste, ai tuoi tavoli bianchi
ripete l'ubbriaco il suo delirio;
ed io ci scrivo i miei piu allegri canti.

Caffè di ladri, di baldracche covo,
io soffersi ai tuoi tavoli il martirio,
lo soffersi a formarmi un cuore nuovo.

Pensavo: Quando bene avrò goduto
la morte, il nulla che in lei mi predico,
che mi ripagherà d'esser vissuto?

Di vantarmi magnanimo non oso;
ma, se il nascere è un fallo, io al mio nemico
sarei, per maggior colpa, piu pietoso.

Caffè di plebe, dove un di celavo
la mia faccia, con gioia oggi ti guardo.
E tu concili l'ítalo e lo slavo,

a tarda notte, lungo il tuo bigliardo.

Céu norueguês
















(jc)

Céu norueguês



















(jc)

Janela


















(jc)

Bóia
























(jc)