Monday, October 31, 2005

Sara Fazib: poemas

cotação

Ele mandou um recado:
Não dou um tostão por ti,
oferecida.

Maldita lei de mercado.


c a r a m e t a d e

melhor par não faria
eu e essa minha falta

de companhia


tête-à-tête

colóquio profundo

meu desinteresse
e tua falta de assunto


flash!

meio-dia
avenida Paulista
vazia

passa a mini blusa
encobrindo
uma multidão de pecados


o oportunista

e ainda na saída

pegou carona
no coração que partia.

n a d a d o r

A dor era rasa.

A mágoa
mal chegava no peito.

Cena

No bistrô
um homem teoriza
a dialógica ético-política.

No olho da moça
porra, me dá carinho.


http://www.germinaliteratura.com.br/
http://sara_fazib.blogspot.com/

Sunday, October 30, 2005

Thursday, October 27, 2005

Estudante



















(jc)

Anton Chekhov: A Boring Story


(...) «A third ring at the bell. A young doctor, in a pair of new black trousers, gold spectacles, and of course a white tie, walks in. He introduces himself. I beg him to be seated, and ask what I can do for him. Not without emotion, the young devotee of science begins telling me that he has passed his examination as a doctor of medicine, and that he has now only to write his dissertation. He would like to work with me under my guidance, and he would be greatly obliged to me if I would give him a subject for his dissertation.
"Very glad to be of use to you, colleague," I say, "but just let us come to an understanding as to the meaning of a dissertation. That word is taken to mean a composition which is a product of independent creative effort. Is that not so? A work written on another man's subject and under another man's guidance is called something different ..."
The doctor says nothing. I fly into a rage and jump up from my seat.
"Why is it you all come to me?" I cry angrily. "Do I keep a shop? I don't deal in subjects. For the thousand and oneth time I ask you all to leave me in peace! Excuse my brutality, but I am quite sick of it!"
The doctor remains silent, but a faint flush is apparent on his cheek-bones. His face expresses a profound reverence for my fame and my learning, but from his eyes I can see he feels a contempt for my voice, my pitiful figure, and my nervous gesticulation. I impress him in my anger as a queer fish.
"I don't keep a shop," I go on angrily. "And it is a strange thing! Why don't you want to be independent? Why have you such a distaste for independence?"
I say a great deal, but he still remains silent. By degrees I calm down, and of course give in. The doctor gets a subject from me for his theme not worth a halfpenny, writes under my supervision a dissertation of no use to any one, with dignity defends it in a dreary discussion, and receives a degree of no use to him.» (...)

Tuesday, October 25, 2005

Superstition

«The superstition persists among the masses that science and the arts are higher than agriculture and trade, higher than handicrafts.»

Mikhail Fyodorovitch (Chekhov, «A boring story»)

Portugal




































































Monday, October 24, 2005

Saturday, October 22, 2005

Oslo



























































































(jc)

Thursday, October 20, 2005

O que é "poesia"?


“To proclaim the use of images, argued Sklovskij, as the distinctive feature of literary art is to posit a frame of reference at once too broad and too narrow. Poetic diction and imagery, he continued, are not coextensive notions. On the one hand, the area of figurative speech is much broader than that of poetry, as 'tropes' appear on various levels of language, for instance in picturesque colloquialisms or in the rhetorical figures of oratory. On the other hand, as Jakobson has pointed out, a work of poetry can sometimes dispense with 'images' in the usual sense without losing any of its suggestiveness. According to Jakobson, a good exemple of this is provided by Puskin's famous lyric, "I Loved You Once", which achieves the intended effect - that of wistful resignation, half-concealing a still smouldering passion - without having recourse to any figures of speech. The efficacy of this lyrical masterpiece rests solely on a successful manipulation of grammatical oppositions and of phrase melody. Obviously, insisted the Formalists, there is such a thing as a non-figurative poem, as well as a non-poetic image.

"The poet", wrote Skloyskij, "does not create images; he finds them [in ordinary language - V.E.] or recollects them." Consequently, it is not in the mere presence of imagery, but in the use to which it is being put that one should seek the differentia of poetry.”

(Viktor Erlich, Russian Formalism, History, Doctrine,
Mouton, The Hague-Paris, 1969, third edit.)

Casas




























































































(jc)

Monday, October 17, 2005

Sunday, October 16, 2005

Sporting: o pesadelo

















E agora, José? A festa acabou?

Verde, branco, azul...













(jc)

Saturday, October 15, 2005

Descendo de Holmenkollen

Tinha ido a Holmenkollen de comboio (de metro, aliás, mas ao ar livre) e depois desci a pé pelos caminhos da floresta. A dado momento decidimos, o Steve e eu, apanhar o comboio de novo para voltar à cidade. Na estação havia outras pessoas à espera do comboio. Entre elas um rapaz de bigode que ia falando com algumas raparigas e por vezes quase perdia o equilíbrio. Já dentro da carruagem ficámos sentados perto do rapaz de bigode e percebemos que estava com os copos, enfim, nada de grave, mas isso explicava a exuberância. Ouviu-nos falar francês e disse com um ar cordial e quase reverente que a França era um país bestial (claro, com todos os vinhos e queijos que por lá se podem encontrar e cinco vezes menos caros...). Depois explicou-nos que era alcoólico e vivia numa instituição que precisamente dava apoio a quem bebia de mais. Estava em tratamento. Fez o elogio da instituição: quarto porreiro com televisão, jantar, uma maravilha; mas se chegasse bêbedo não o deixavam entrar e tinha de esperar pelo dia seguinte. Ia apanhar o barco, eram umas 4 ou 5 da tarde. Voltava a "casa". O comboio parou em Majorstue e uma rapariga loira de jeans brancos que estava perto de nós levantou-se e saiu. Quando passou ao lado do rapazola do bigode levou uma bela palmada no rabo. Espantámo-nos, o Steve e eu, mas como a rapariga tinha ouvido a conversa deve ter dado o desconto e não protestou. Talvez por isso, encorajado, o simpático rapaz achou que tinha ali uma chance - e pouco depois levantou-se bruscamente e foi a correr a ver se ainda a apanhava. Espontaneamente achámos-lhe piada. Era um tipo divertido. Mas depois pensei: na Noruega não há escolas infantis nem jardins infantis gratuitos e até fica muito caro pôr lá as crianças; mas os bêbedos têm outras regalias, o Estado preocupa-se com eles; deve haver uma razão.

Os noruegueses estão convencidos de que têm o melhor sistema de protecção social do mundo, mas jardins de infância gratuitos já os havia em França, magníficos, nos anos 70 e o sistema de segurança social francês é de longe superior ao norueguês. O mito escandinavo tem alguma razão de ser, mas no Norte da Europa nem tudo é oiro. E os burocratas que detêm o poder, tendo encaixado o dinheiro dos impostos, desbaratam-no como melhor entendem. Pelos vistos não chega para os alcoólicos e para os jardins infantis ao mesmo tempo.

Norway: A ditadura dos burocratas

O meu fascínio e afecto pela Noruega não me impedem de reconhecer que a Noruega tem algumas instituições meio-fascistas, com funcionários ignorantes, teimosos, mentecaptos e arrogantes. Enviam cartas aos pais estrangeiros de meninos e meninas noruegueses que não lhes devem nada a exigir-lhes dinheiro e não explicam porquê. Telefona-se-lhes e embora eles falem inglês parece que são burros, não percebem ou fazem que não percebem, põem-se a repetir a lengalenga idiota vezes sem fim. Não pensam, não têm cérebro, raciocinar está acima das suas possibilidades. Fy Fan! E voltam a enviar a mesma carta imbecil a pedir pagamentos que ninguém lhes deve sem de novo se dignarem, pelo menos, explicar porquê. São ditadores, abusivos, preguiçosos, burocratas, irritantes. Ainda não entendi por que é que os noruegueses não se revoltam contra o Estado-ladrão que os explora e oprime e que triunfa onde os próprios soviéticos falharam. O civismo excessivo tem destas coisas, leva à passividade das boas pessoas.

Relógio, etc.

















































(jc)

Friday, October 14, 2005

Wednesday, October 12, 2005