Friday, January 27, 2006

Como vai o mundo? (2)

Entrei numa loja que vende televisões e nos enormes ecrãs de plasma resplandecia a beleza divina de Maria Sharapova com o seu vestidinho azul. Senti-me bem.

A equipa de futebol nacional portuguesa vai equipar só de vermelho. Continua a decadência da pátria.

Sócrates não necessita de repetir que no serão das eleições interrompeu Alegre involuntariamente, a gente já percebeu. Eu achava mais piada que tivesse sido de propósito, mas paciência.

Os despiques da gente do futebol - os Veigas, os Pintos, os Vieiras, os Guilhermes, os Chumbitas, os Alves, os Koemans, etc. etc. - são um subproduto da crise geral que atravessa o país. (E os despiques dos intelectuais?)

Escritores perigosos não são aqueles que escrevem romances inverosímeis, pois as ficções medíocres que eles inventam não nos convencem. Perigosos são os contadores de histórias talentosos que nos fazem esquecer (ou não nos deixam perceber) a falta de fundamento daquilo que contam. Dos políticos pode dizer-se a mesma coisa. Os perigos da verosimilhança são enormes.

Soares pode ter servido ao PS para evitar o malentendido (ou a desgraça, o atraso de vida?) que seria, segundo algumas opiniões, a eleição de Alegre. Provavelmente receou-se que Alegre se transformasse, toutes proportions gardées, no Santana Lopes da esquerda. Receio despropositado, evidentemente.

Porque é que mudaram o fiscal de linha do Sporting- Benfica? Para distrair a imprensa dos problemas reais do país? Para ajudar o povo a passar o tempo de tédio que precede o jogo?

Se os nossos políticos profissionais fossem tão competentes quando exercem o poder como nos intervalos das eleições, quando falam na televisão e nos jornais, o país estaria no estado em que está? Sejamos, em Portugal, originais e eficazes: deixemos governar a oposição.