Friday, January 13, 2006

Como vai o mundo?

1. Estamos todos sob escuta. É grave. Já não há democracia, só há polícia. Quem manda no país é o Souto Moura.

2. As eleições presidenciais portuguesas terão assim tanta importância? Qual é o poder real do Presidente? O facto de Sampaio ter demitido o extravagante Santana Lopes foi excepcional, dificilmente se repetirá tal cena. Não seria melhor voltarmos à monarquia por uns tempos, enquanto não surge um candidato convincente? Evitávamos ilusões e perder tempo a ouvir patetices e patetas.

3. No Benfica anda tudo à pancada. O Sporting anda a apanhar bonés (está a ser dirigido por anjinhos). O presidente do Porto continua a pensar que é um tipo MUITO esperto e MUITO importante. O Miguel Sousa Tavares idem e o seu dandismo intelectual já enjoa.

4. O inconveniente do sistema democrático é que os imbecis, os vigaristas, os filhos da mãe, os invejosos, etc., também têm direito de voto. Conclusão: não haverá nunca uma sociedade perfeita.

5. Os sentimentos também têm classes. Uns são proletários e plebeus, outros chiques e de salão. Alguns estão na moda, outros devem evitar-se. Os que estão na moda são os que são propostos à admiração das massas vulgares e incultas pelos poetas do regime, pelos jornalistas e outros aspirantes a peraltas, pelo EPC, por gente mundana como os pseudo-artistas e os polítcos. Parolices nacionais.

6. No que me diz respeito já fiz o meu dever: os meus dois filhos, apesar de gostarem de Portugal, não vivem lá nem terão de lá viver se não quiserem. Ao ponto a que isto chegou, com o mundo a correr o risco de se ver em breve reduzido a um campo de concentração rodeado de arame farpado americano, nada é seguro. Mas do mal o menos.

7. Para quando um Lisboa-Dakar dos intelectuais? Os poetas competiam de mota, os prosadores de bicicleta, os filósofos de balão, os críticos de arte iam de patins, os críticos literários "surfavam".... O Saramago ia a pé, o Lobo Antunes de Jaguar, o Eduardo Lourenço de trenó, o José Gil de Peugeot, o EPC ao colo do Mourinho... O Carrilho, se insistisse em ir, ia de ambulância... A Agustina podia ir de burro... Os professores iam à boleia... O Luís Pacheco ia no carro da polícia... Podia ser excitante. No fim publicavam-se vários volumes sobre a aventura e atribuíam-se prémios: esculturas de areia, por exemplo.