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Showing posts from February, 2006

A cidade e o campo

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"Nada disto é simples"

"The phenomena of language ought to be classified according to the purpose for which the speaker uses his language resources in a given instance."
(Lev Jakubinsky, citado por Marjorie Perloff)


"From a Wittgensteinian perspective, perhaps the first thing to note is that Fish's argument is that, however much Fish wants to redefine what literature is and whence its authority comes, he never seems to doubt that definition (more accurately, redefinition) is possible. Take the declaration in the headnote, "Literature, I argue, is the product of a way of reading, of a community agreement about what will count as literature, which leads the members of the community to pay a certain kind of attention and thereby to create literature." "Literature, I argue, is... ": the sentence assumes that there is such a thing as literature and that this thing is in urgent need of redefinition. "The nature of the literary institution," Fish goes on to say, &quo…

O que é literatura?

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“I challenge the ordinary-language/literary-language distinction, first by pointing out that it impoverishes both the norm and its (supposed) deviation, and second by denying that literature, as a class of utterances, is identified by formal properties. Literature, I argue, is the product of a way of reading, of a community agreement about what will count as literature, which leads the members of the community to pay a certain kind of attention and thereby to create literature. Since that way of reading or paying attention is not eternally fixed but will vary with cultures and times, the nature of the literary institution and its relation to other institutions whose configurations are similarly made will be continually changing. Aesthetics, then, is not the once and for all specification of essentialist literary and nonliterary properties but an account of the historical process by which such properties emerge in a reciprocally defining relationship.”
(Stanley Fish)

Patrício and Jennifer

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Devaneio

Às vezes, ao ler nos jornais as acusações que os homens políticos se enviam mutuamente, penso coisas que não devia. A última foi esta: como seria Portugal governado por Francisco Louçã?

Modéstia

Depois de reconhecer que o Tractatus tinha resolvido no essencial os problemas que se propusera debater, Wittgenstein acrescenta: "the value of this work secondly consists in the fact that it shows how little has been done when these problems have been solved". (T 29)

As crianças gritam

As palavras juntam-se
para festejar: a noite,
a manhã, a chuva.
E pelo vidro da janela
nós observamos a sua
agitação incompreensível.
Que temos a ver
com tanta azáfama,
que temos a ver
seja com o que
for que se passa
no universo das
formas e dos
ruídos? Ser
como as pedras
do caminho na
floresta, como as
árvores, os rios,
as montanhas;
nada saber, ser
apenas. O frio
da tarde de chuva
penetrou nos
ossos. O sol brilha
de novo, porém, e
nós alegramo-nos,
esperamos ainda
pela revelação.
As crianças gritam,
cantam, riem na rua.
O mundo, a vida,
os aviões, os automóveis
trabalham sem fim,
esforçadamente, não
se sabe para quê.

SB, 16 Fev. 2006

Liberdade de não se exprimir

You can't escape meaning

Paragraphs on Conceptual Writing
Kenneth Goldsmith



"I will refer to the kind of writing in which I am involved as conceptual writing. In conceptual writing the idea or concept is the most important aspect of the work. When an author uses a conceptual form of writing, it means that all of the planning and decisions are made beforehand and the execution is a perfunctory affair. The idea becomes a machine that makes the text. This kind of writing is not theoretical or illustrative of theories; it is intuitive, it is involved with all types of mental processes and it is purposeless. It is usually free from the dependence on the skill of the writer as a craftsman. It is the objective of the author who is concerned with conceptual writing to make her work mentally interesting to the reader, and therefore usually she would want it to become emotionally dry. There is no reason to suppose, however, that the conceptual writer is out to bore the reader. It is only the expectation of an emoti…

"Nada disto é sério" *

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(* Eduardo Souto Moura)

http://www.ubu.com/

pennsound

Kenneth Goldsmith
(K. G. canta... Wittgenstein!)


FIDGET
KENNETH GOLDSMITH
Coach House Books, 2000
(www.chbooks.com)

Publishers Weekly, June 5, 2000
Readers familiar with poet and visual artist Goldsmith's No. 111. 2.7.93-10.20.96, perhaps the most exhaustive and beautiful collage work yet produced in poetry, wondered what he might possibly do for an encore. The answer came on June 16, 1997-Bloomsday when Goldsmith used a dictaphone to note as much of as many of his body's movements as he could, keeping a verbal record of what happened when he walked across his bedroom, shook his head or performed more intimate functions. This volume charts the results in 11 sections, corresponding to Goldsmith's eleven hours awake that day, in clear homage to the hour-by-hour chapters of Joyce's Ulysses - that most bodily of modernist masterpieces. And as in Ulysses, different actions dominate different hours. (Goldsmith's masturbatory …

Campus UCSB

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Party

Pobre Michel Piccoli, pobre Irene Papas, pobres actores a quem Manoel de Oliveira, autor de várias obras-primas do cinema, obrigou aos diálogos mais pirosos, parolos e insensatos que já se ouviram. A dado momento a estupidez era tanta e os actores pareceram-me tão aflitos que vim-me embora, deixei o filme sozinho a desfilar na televisão.

Alguns links

Privilégio

Falar das ricas roupas do rei que vai nu é um privilégio de artista.

P. S. - Aliás o rei que ia nu nem sequer era rei.

P. S. 2 - Aliás aqueles que se reuniram para falar das ricas roupas do rei que ia nu (e que não era rei) também não eram artistas.

Semáforo

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Esquina

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Liberdade de expressão?

Circulando entre a cozinha e a sala da televisão, entre o apartamento onde vivem e o café onde filosofam, alguns intelectuais dos blogues continuam a dar provas de extenuante e admirável inteligência. Eles são os guias espirituais da nação, os substitutos dos padres que já não há. E jubilam porque lhes foi oferecida mais uma oportunidade de mostrar os seus elevadíssimos dotes especulativos. Em resumo: mais literatura, mais pose, mais arrogância. Mais teoria.

De Oslo chegam-me pontos de vista diferentes: o receio real de atentados, o espanto por ver a Noruega atacada, desrespeitada ou ameaçada, interrogações sérias sobre a futilidade dos artistas e a despropositada maldade do jornalismo.

Liberdade de expressão significa que se pode dizer tudo acerca de tudo... quaisquer que sejam as consequências?

Pelos vistos é um facto indiscutível para alguns que o direito de ofender os sentimentos religiosos de outras pessoas é prova de superioridade, de mais cultura e de mais civilização. Será?


P. S.…

Restaurante em Pasadena

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Equívoco

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E se...

E se os brilhantes espíritos, os inefáveis artistas que decidiram misturar religião com política de maneira desnecessária e ofensiva, tivessem reflectido duas vezes antes de criar a confusão e interferir com a existência e a segurança de outras pessoas, tinha-se perdido alguma coisa? O que é que se ganhou, em todo o caso? Quem é que ganhou alguma coisa com esse exercício fútil da "liberdade de expressão"?

P. S. Ver sobre este tema Legendas & etc. e Arquivos mortos

As origens do conhecimento

"What has history to do with me? Mine is the first and only world! What others in the world have told me about the world is a very small and incidental part of my experience of the world."

L. Wittgenstein

Céu

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Be happy!

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«O Sporting não conta.» (Treinador do Benfica)


"... a superioridade do Sporting foi em parte devida a uma arbitragem muito 'inteligente." (Treinador do Nacional)





(www.cathtatecards.com)

Falamos de mais

O sentido do mundo está
em quem de fora o vê.
A morte é-nos estranha
como experiência pessoal;
mas à nossa volta morrem
os animais e as árvores.
Assim pensava eu, enquanto
lia um livro de filosofia.
E na tarde jovem com o sol
a brilhar apetecia-me
ir conversar de amor
com a rapariga que servia
os cafés naquela esplanada.
“Você dormiu cá?”- perguntou-
-lhe um rapaz loiro. Ela
riu-se, mas eu tinha-a
visto a lavar o chão
na véspera à noite,
a pegunta maliciosa
tinha algum sentido.
Poesia, disse eu, falando
para ela como se ela me
ouvisse, já não há, gastou-
-se nas palavras que como
a água das barragens irrompe
de todos os lados, assustado-
ramente, quando lhe abrem
as portas. Falamos de mais,
a grande questão é essa, disse eu,
falamos de mais, não sabemos
calar a boca, viver em silêncio.

SB, 3, Fev. 06

Escritas

Escrever sobre os livros dos amigos não tem nada de mal. Escrever só sobre os livros dos amigos ou conhecidos é suspeito, denuncia talvez muita preguiça, ignorância ou falta de curiosidade, mas em princípio também não é condenável só por si.

A literatura, uma vez posta à venda, é um produto como qualquer outro - e é natural, por isso, que esteja submetida às leis do mercado e que alguns escritores revelem dotes apreciáveis de comerciantes.

Entre comprar meia dúzia de peras e umas saladas para o jantar, ou um livro, pode hesitar-se (há quem não possa, é verdade). Deve ser por isso, e porque falar de quem dá rendimento é mais fácil, que nos jornais os jornalistas falam sobretudo de escritores que são jornalistas ou de escritores que são políticos. Os prémios, aliás, é aos peixes dessas águas que são atribuídos com frequência - por peixinhos que navegam (ou aspiram a navegar) nos mesmos aquários.

Só se surpreende com esta situação quem ainda acredita que a literatura poderia escapar à polui…