Saturday, March 18, 2006

The failure of art? Hmmm...





A questão da arte tem de pôr-se e pode ser que Jameson tenha alguma razão no que diz, mas fico sempre com a impressão, ao lê-lo, de que o facto de o seu discurso ser em geral bem articulado não significa que revele um entendimento suficiente da complexidade do que ele pretende explicar. Talvez o problema esteja mal posto, simplesmente. A inovação estilística só por si não cria arte, quando muito cria espectáculos irrisórios e passageiros (nos casos mais felizes pode fornecer instrumentos para artes ainda por vir ). O facto de a arte ser acerca de si própria não devia esconder de nós que a arte só é arte na medida em que trata da nossa condição e do nosso destino.
E há alguma arte séria que não seja, sendo acerca de nós, acerca de si própria também, sempre? Mais divertido ainda: pensar que o que falhou como "novidade" pode não ter falhado como "arte"; e que o que falhou como "arte" pode não ter falhado como "novidade". O que é arte, a arte, esse mito da nossa civilização?


“in a world in which stylistic innovation is no longer possible, all that is left is to imitate dead styles, to speak through the masks and with the voices and styles in the imaginary museum. But this means that contemporary or postmodernist art is going to be about art itself in a new kind of way; even more, it means that one of its essential messages will involve the necessary failure of art and the aesthetic, the failure of the new, the imprisonment in the past.”


(Fredric Jameson, “Postmodernism and Consumer Society”, in The Anti-Aesthetic, Essays on Postmodern Culture, edited and with an introduction by Hal Foster, The New Press, New York, 1998)