Saturday, March 18, 2006

Gentilezas

Fico tímido com a gentileza do Carlos Sousa de Almeida, que, creio, não conheço a não ser pelos seus blogues, "primos" do meu: sobre a pálpebra da página; legendas & etc. Hoje ele remete num link para duas pequeníssimas histórias que há tempos publiquei numa revista brasileira de literatura da internet. Obrigado, Carlos.

Também recebi uma mensagem de outro amigo a informar-me de que no Diário de Notícias de sexta-feira o Pedro Mexia - que não conheço nem é meu amigo, tranquilize-se o "Esplanar" - publicou uma recensão aos meus dois livros recentemente postos à venda. Ena pá, pensei eu, estou a ficar popular. E inexplicavelmente franzi o nariz.
- Queres que te mande o artigo por fax? - perguntou o meu amigo.
Respondi:
- Não, manda por correio normal.
Continuo sem saber se o artigo em questão me compreende ou desentende, se o Pedro quer que me leiam ou me dá bons conselhos sobre como é que se deve construir uma intriga, caracterizar uma personagem, aceder à poesia, falar da vida, escrever um livro.
Lembrei-me entretanto, enquanto vinha a conduzir o Saab à beira do Pacífico de regresso a casa ao fim da tarde, de um livro de Peter Handke:
A angústia do guarda-redes no momento do penalti. E sorri enquanto ia ultrapassando um camião.
O Pedro Mexia, além de tantas outras coisas que nos podem tornar simpáticos ou estranhos um ao outro, é benfiquista - e eu sportinguista; é, se não erro, formado em Direito - e eu em Letras.
Tranquilizei-me: mesmo quando jogava futebol na equipa da Faculdade de Letras de Lisboa nunca joguei a guarda-redes, em geral jogava a defesa direito, às vezes ao lado do Ruy Belo ou do Arnaldo Saraiva, do Moreira, do Madeira, do Carlos Correia, etc.; e gostava muito de arrancar por aí adiante a caminho da baliza adversária. Uma vez, depois de vários passes com o Pissarra, um puto cheio de talento, fui rasteirado na área adversária e tivemos direito a uma grande penalidade. Imagino que o Pissarra a deve ter transformado em golo. Velhos tempos. Onde estará o Pissarra? Nunca mais o vi nem tive notícias dele. Se alguém souber, dê-lhe um abraço meu.
O meu obrigado ao Pedro Mexia por se ter dado ao trabalho de ter em conta nas suas crónicas lisboetas os meus livrinhos, escritos num espaço e num tempo bem diferentes dos dele, chegados de tão longe às suas mãos.