Wednesday, March 08, 2006

O cãozinho

Ninguém lhe prestava a atenção que ela achava que merecia. Tinha envelhecido o suficiente para passar despercebida e sabia-o. Como nunca tinha amado e era conhecida por se servir das pessoas, ninguém gostava dela. Foi então que decidiu passar à fase seguinte: comprou um cãozinho branco e passeava-se com ele pelos corredores da universidade ou do hospital. As pessoas paravam, faziam muitas festinhas ao cão, riam, perguntavam. E ela voltou a ser o centro de todas as atenções durante alguns dias, o cãozinho era ela na verdade. E tinha uma esperança para o futuro: quando o cãozinho começasse a fazer mijinhas nas calças dos colegas e nas pernas das colegas, a sua vocação de egoísta infeliz, malvada e invejosa, voltaria a reconciliar-se com a vida, com o mundo.