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Showing posts from June, 2006

Setembro já

Tu sempre sorris,
os teus dentes,
o teu rosto,
tu sorris,
e talvez
vejas o
que estás a
olhar, talvez.

Eu sempre
vi no teu
rosto, nos
teus lábios
a cor azul
dos céus tristes
do Outono,
das fontes
ao crepúsculo
entre os arbustos,
perdoa, tu
sorrias, tu
sorrias, mas
eu sempre
vi, sempre,
um lugar na
sombra onde
tu não me
vias, nem vias
o sol, nem sabias
sorrir.

Se as palavras,
se a arte,
se falar,
se olhar,
se ver, se
saber servissem
de alguma coisa.
Não sei que
dizer, não há
nada a dizer,
um dia tu
deixarás de
sorrir, eu
nada saberei
de ti, na
sombra tu
descobrirás
o destino, o
sentido,
a alegria talvez
de viver enfim.


(C.B., 7 de Setembro de 2005)

Livraria

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Bobby Sands

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Vantagens do silêncio

Não falar é não querer distinguir, preferir não tomar partido. Quem não fala não escolhe, mas também não recusa; não acerta, mas também não erra; não agrada, mas também não ofende; não mostra que sabe, mas também não mostra que ignora; não se auto-retrata, mas também não tem a pretensão de retratar o mundo; não elogia, mas também não condena; não se compromete, mas também não compromete ninguém; não adula nem põe num altar, mas também não calunia nem ostraciza; não se eleva, mas também não se rebaixa. Quem não falou não tem de falar de novo para corrigir o que disse antes. Apesar disso falamos. Porquê?

Máquinas, estruturas

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Jeune fille

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Liberdade de expressão

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As razões do exagero...

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“I think a frequent cause of overstatement is diffidence: wondering whether what one is about to say is worth hearing. So one embellishes it a bit, not quite deliberately. If the message is relayed, embellishment is subject to iteration; and the message becomes the more worth relaying as the embellishment proceeds. A tacit, tentative reservation of the full belief is the part of the prudent listener. “


Aplicada à arte, esta observação torna-se particularmente irónica: por receio de não produzir "obra artística", o artista menor tem tendência a recorrer a processos que na sua opinião imatura são "artísticos" e hão-de por consequência conferir qualidade estética à obra. A gente sente o artifício e lamenta a ambição ingénua. Quanto ao conceito de "artista menor", como é evidente, escapa a qualquer definição científica e convincente, o que torna o problema muito mais interessante do que parecia.

Literary form

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Maybe it's not (completely) true:

"literary form is a matter of the text's psychological reception and not inherent to the text itself."


Outro texto sobre o mesmo dificílimo assunto:

Iouri Tynianov, Le vers lui-même, Les probèmes du vers, traduit du russe, Paris, 10/18, 1977

Children (LA)

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O blogue do Nuno

And nothing was a phrase

(…)

Again, the fevered cresting memory pulls me back in, to that moment when I think it was that the future had suddenly vanished for me, had become a soft, deadened wall. Back there at the beginning, the end, when Barry told me flat-out that I had AIDS, I didn't feel it, although I also saw that denial was futile. Barry was not even remotely real to me at that point. He was merely a conductor, a lightning rod of medical error. I still didn't believe he was a good doctor; that would come later. The framework of the self wasn't changed by the words, the general feeling of its being my body and its having been my body all my life didn't dissolve, as it would in a few days. I had no sense of gestating my death.
Ellen says that she hung back and expected me to be violent psychically, and to want death immediately once I had accepted the diagnosis. Well, that was true. But I was also afraid of death, of my own final silence.
And I was ashamed toward her, and angry at her. She …

Thousand Oaks (2)

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Thousand Oaks

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Os Canadair e o Mundial

- Acabo de ler num jornal que a Espanha vai enviar 2 aviões Canadair a Portugal para apagar um incêndio que ultrapassa as nossas possibilidades. Como nós, pelo que tenho lido, somos bons mesmo é em futebol, pergunto-me: no caso de os espanhóis terem algum problema no Mundial, será que os bébés queridos da pátria, os nossos craques, os nossos heróis, os nossos noctívagos, os descendentes dos navegantes e de Camões, vão dar uma ajudazinha? Seria justo.
- Emprestávamos-lhes o Cristiano Ronaldo, o Caneira ou o Figo, por exemplo?
- Não digas asneiras. Oferecíamos-lhes o Simão, que anda há anos frustrado e triste por não ser contratado por um grande clube europeu; e o Petit, que além de não ser para brincadeiras nem sequer tem um nome português. E ficávamos pagos.

uma questão de estratégia

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a tentação de responder de não deixar sem resposta as provocações é grande mas a gente tem de resistir não se pode passar a vida a responder ao que dizem e pensam outras pessoas era o que faltava e depois não é seguro que nos estejam a provocar a nós exactamente é preciso ter cuidado não ficar mais paranóico do que o necessário aliás tenho uma teoria a esse respeito disse ele o jovem que numa mesa do bar ao lado da minha ia alternando o abrir a boca para falar e o abrir a boca para beber a cerveja e a rapariga que o escutava parecia atenta usava uns óculos de tartaruga castanhos e sorria-lhe ou ficava séria mas estava concentrada no rosto do rapaz os blogues por exemplo dizia ele tornam público constantemente o que durante muito tempo foi secreto as opiniões das pessoas agora viajam invadem todos os espaços é preciso proteger-se claro convém estar informado mas não exageremos eu já decidi blogues só leio meia dúzia também não me dou com toda a gente nem me interessa saber o que pensa …

Ângulos

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Maria de Lourdes Belchior Pontes (1923-1998)

Faz hoje 8 anos que faleceu Maria de Lourdes Belchior. Aqueles que tiveram o privilégio de a conhecer não a esquecem. Curiosa coincidência: Jorge de Sena tinha falecido no mesmo dia em 1978 (faz hoje 20 anos). Maria de Lourdes Belchior tinha sucedido a Jorge de Sena no Departamento de Espanhol e Português da UCSB, tendo deixado a Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, em 1989, para ir dirigir o Centre Culturel Portugais da Fundação Gulbenkian em Paris. Fui seu aluno de Literatura Espanhola na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e quando defendi a minha tese de Doctorat d'État na Universidade de Haute Bretagne em Rennes sob a orientação de Jean-Michel Massa, em Março de 1983, ela fez parte do júri. Quando decidiu deixar a UCSB, incitou-me a concorrer ao lugar que deixava vago. Sempre achei uma grande injustiça (será por ignorância?) que em Portugal se recorde apenas a figura de Jorge de Sena quando se fala da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

Ver …