Saturday, June 24, 2006

Setembro já

Tu sempre sorris,
os teus dentes,
o teu rosto,
tu sorris,
e talvez
vejas o
que estás a
olhar, talvez.

Eu sempre
vi no teu
rosto, nos
teus lábios
a cor azul
dos céus tristes
do Outono,
das fontes
ao crepúsculo
entre os arbustos,
perdoa, tu
sorrias, tu
sorrias, mas
eu sempre
vi, sempre,
um lugar na
sombra onde
tu não me
vias, nem vias
o sol, nem sabias
sorrir.

Se as palavras,
se a arte,
se falar,
se olhar,
se ver, se
saber servissem
de alguma coisa.
Não sei que
dizer, não há
nada a dizer,
um dia tu
deixarás de
sorrir, eu
nada saberei
de ti, na
sombra tu
descobrirás
o destino, o
sentido,
a alegria talvez
de viver enfim.


(C.B., 7 de Setembro de 2005)