Friday, April 28, 2006

Monday, April 24, 2006

Thursday, April 20, 2006

reconstruction


does it make sense said he and I said oh boy everything makes sense e então a tarde aproximava-se do fim uma vez mais repetição repetição e que mudou que muda era ontem era hoje era amanhã não se sabia todos os dias se assemelhavam a rotina a indiferente a semelhante passagem do tempo e a nossa morte anunciada nele e nós sem dar por isso como se fôssemos imortais durássemos sempre estava sol às vezes e outras vezes chovia mas ainda assim nada de original realmente os dias eram como todos os dias de todos os séculos vividos e por viver e então eu levantei-me paguei o café e disse vou-me embora estou farto de esperar ela já não vem e ele disse mas tu pensavas que ela viria ela nunca sabe o que quer é uma eterna adolescente não se pode contar com ela verdadeiramente e eu disse não tem importância aliás não estou de acordo contigo eu conto com ela e sempre hei-de contar ela e ele disse pois vai indo faz-se tarde eu por mim vou ao cinema depois talvez me meta no carro e vá até sintra ou a cascais logo vejo se me apetece e eu disse viste aquele filme do christopher boe reconstruction eles dizem they say que ele é discípulo do david lynch talvez seja maybe who knows não interessa talvez eu tenha gostado mais até do que dos filmes do lynch e do cronenberg maybe não sei tenho de pensar eu achei o filme extraordinário movimento cores rostos histórias palavras conversas meio absurdas na aparência mas eu próprio às vezes tantas vezes falo assim um tanto suficientemente inesperado um ar fresco frio como gelo ou neve na cara de raspão coisa nova sentida com outros sentidos a arte não se esgotou ainda estás a ver a capacidade artística quero eu dizer enquanto houver quem seja capaz de falar do que nos interessa de pôr em cena de revelar de mostrar sem nos cansar surpreendendo-nos através de uma morfologia e sintaxe desconhecidas não banais nem comerciais para começar evite-se isso nem vulgares estamos bem enquanto for assim enquanto houver quem invente quem saiba falar e ele disse também gostei grande filme e conta com a inteligência discreta do espectador cumplicidades que nem todos entenderão ainda bem mais tarde eles hão-de acabar por entender os que não tiverem entendido agora quero eu dizer mas eu entretanto tinha começado a afastar-me ela não tinha vindo estava desiludido ou pelo menos um pouco frustrado provavelmente tinha imaginado passar o serão com ela e até dormir com ela na minha cama mas ela sempre incerta onde andaria certamente ia telefonar-me mais tarde não era seguro no entanto nada é seguro aliás e atravessei a rua em frente da estátua do marquês da confusão das obras do marquês aquele parvo do presidente da câmara que imbecil convencido mas já o tinham remetido para sua insignificância de don juan de pacotilha o gajo até usava patilhas ou era eu que estava a inventar a ser exageradamente injusto e o outro o que foi para bruxelas o cherne país de merda políticos de opereta reles e o outro o que mandou pôr os versos dele no miniarco do triunfo local imitações tudo ambição de glória e de duração para além da morte tudo e ri-me de tanta inocência de tanta pobreza de tanta ingenuidade não me apetecia subir a rua íngreme onde é que ela estaria naquele momento a rua a subir que leva às amoreiras não me sentia com forças nas pernas por isso desviei para a esquerda e comecei a descer a avenida da liberdade o fim da tarde ameno tranquilizava o meu espírito os carros que passavam deixavam-me pensativo música da rua agitação permanente as paixões levavam as pessoas de um lado para o outro as frustrações os sonhos os devaneios motor de tudo o que nos faz andar de um lado para o outro as árvores lá estavam com os seus troncos e ramos e havia flores nuns canteiros brancas amarelas buzinavam alguns automóveis irritados ou impacientes outros ao volante fumavam distraídos diante dos semáforos vermelhos e ela hoje provavelmente tinha vestido a camisa azul de seda e a saia de que eu gostava e a pele dela que saudades da pele dela do calor da pele do corpo dela depois o rio recomeçava a correr nervosamente quando surgia o verde distraí-me a descer a rua ia olhando para as pedras da calçada o filme do boe de facto e o sorriso dela e os silêncios mistérios bruscamente eu agitava-me interiormente para quê continuar a contar histórias monótonas e conhecidas com intrigas a que ninguém presta já atenção o melhor é aprender a arte da elipse e a arte da montagem e a arte do recorte e depois por sugestão o espectador entende tudo e não se aborrece eram que horas já e aonde é que eu ia ao acaso talvez jantar no pinóquio mais tarde decidia a minha vida era monótona em geral e não havia razões para imaginar ou esperar que mudasse em breve o rosto dela vinha de vez em quando como num relâmpago num flash ocupar não sei que parte do meu espírito os dentes dela as rugas suaves do rosto eu deixava de ver o que via só tinha olhos na memória ou na imaginação pensei em telefonar a alguém um amigo uma amiga alguém com quem conversar que me prestasse atenção que me fizesse sentir que estava vivo mas quem a quem é que eu podia pedir tanto telefonar a quem na realidade não me apetecia cansar-me a falar e para ouvir histórias alheias quando eu próprio já não sabia que fazer com as minhas podia ir jantar sozinho ao restaurante ao lado da linha do comboio ou ao pátio da artilharia um onde havia sempre muitas pessoas às vezes mulheres ou raparigas vagamente enigmáticas nunca meto conversa com as pessoas nos restaurantes só brinco com as empregadas enquanto vou bebendo o vinho tinto e a água das pedras entretanto cheguei aos restauradores e não me apetecia andar a pé nem continuar na rua vou para casa disse para mim mesmo isto é vou já para o hotel talvez adormeça em cima da cama e mais tarde vou jantar reconstruir a minha vida mentalmente pôr tudo em ordem na cabeça amanhã é um novo dia a primavera trouxe o bom tempo por uns dias talvez ainda alguém me ame de novo quem sabe os milagres acontecem as surpresas as revelações mas eu não farei o mínimo esforço não tomarei qualquer iniciativa não quero chocar nem incomodar nem ofender os sentimentos a personalidade de ninguém talvez venha daí a minha irremediável solidão paciência não posso prometer nada eu sei e isso às vezes tantas vezes eu sei cria problemas insolúveis e no entanto não gosto de estar só nunca gostei ou talvez não seja verdade mas é o que eu penso neste momento ou o que gosto de dizer de mim isto é agrada-me sentir-me acompanhado alguém que esteja e eu saiba que está falo espiritualmente tanto como fisicamente questão fundamental é a presença a atenção mas não precisam de olhar para mim isso incomoda-me muito mas mentalmente presente e fisicamente mas ao mesmo tempo alguém que não fale de mais nem me interrompa o fio a reconstruction dos pensamentos o fluir das águas da memória a invenção o devaneio a cura interior reconstruction é isso mesmo do passado do futuro dos dias de amor e dos dias de solidão dos dias de chuva das tempestades e dos dias de sol brilhante magníficos alegres nem me acaricie o rosto quando estou a pensar a ler não gosto que me toquem então quando estou a escrever a ouvir música por exemplo deixem-me em paz comigo mesmo ou à procura da paz em mim mesmo a semana passada penso nisso agora sem razão evidente é assim comprei o reaktor um programa de música para o computador meu deus como me tenho divertido a misturar sons a experimentar a inventar demasiado romântica a tua música diz o patrício ele é que é músico a sério eu sou apenas amador diletante gosto de explorar os sons mas não tenho competência nenhuma divirto-me no entanto mas demasiado romântico disse o patrício ele em contrapartida disseca o dó e descobre no seu interior minúcias inesperadas e misteriosas fiquei a meditar quando ele me falou nisso pela primeira vez provavelmente nunca tinha imaginado que por dentro de um dó ou de um ré ou de um mi pudesse existir ainda alguma coisa alguma unidade menor nunca se pára de aprender meu deus disse eu a vida é uma coisa apaixonante viver é uma aventura permanente e entretanto mandei parar um táxi e disse-lhe para o hotel dom carlos se faz favor e a fome começou a excitar a minha imaginação antes porém disse eu vou tomar um martini no meu quarto e brincar um pouco com o reaktor no computador aconcheguei-me no assento do carro eram umas oito e tal da noite se o meu relógio não mentia e talvez ela telefonasse ou estivesse no hotel à minha espera com ela nunca se sabia sorri meti a mão no bolso para tirar um cigarro reconstruction reconstruction a minha vida nunca deixaria de estar em revisão em reconstrução sorri de novo acariciei o cigarro apeteceu-me acendê-lo mas faltava pouco para chegar ao hotel decidi ter um pouco de calma e tudo se passava tudo acontecia como se eu estivesse onde pensava estar mas como saber como decidir como afirmar seja o que for provavelmente eu estava a delirar ou apenas a sonhar ou concedera-me a ilusão a irrealidade como compensação para a modesta existência que me coubera viver outras tardes outros céus outras cores outras árvores mas o que é o real o que é o que existe e como distinguir o tempo passado do tempo presente a imaginação da pura contemplação como distinguir quem sabe o corpo está aqui e o espírito não está exactamente aqui aliás para ser sincero o próprio corpo enfim nunca se sabe não é e essa solidão é qualquer coisa que não se pode contar narrar dizer explicar entretanto lembrei-me tenho de passar na farmácia ora bolas para comprar os medicamentos que chatice e disse ao homem do táxi que fizesse um desvio

Tuesday, April 18, 2006

Longe de Babel

falavam todos falavam o mundo era uma imensa arca um vulcão que não se cansava de vomitar palavras cá para fora fedor náusea e ninguém ouvia ninguém não havia tempo nem paciência aliás para quê ouvir imprecações calúnias exageros mentiras exigências ofensas frustrações reescrever refazer emendar corrigir pela palavra era a ambição tresloucada e desmedida a cada um as suas paixões inocentes umas temíveis outras sinistras a enorme confusão que as vidas humanas eram a própria linguagem febril a deixava entrever e iam passando melancolicamente os meses os ordenados e os subsídios eram pagos e depois gastos era a vida quotidiana em todas as cidades em todos os países e no meio de tudo isto you oh loved one where were you what were you doing how did you como escapaste à terrível condição não se sabe apetecia fugir esconder-se na aldeia perdida no meio das montanhas fugir recuperar a paz o silêncio a sabedoria mas quem tinha coragem jogos de linguagem lutas de linguagem aldrabices vagidos agressões oh miséria oh sordidez oh meu deus dizias tu oh meu deus como é possível termos atingido um estado de decadência semelhante não há já quem saiba sorrir não há não só ódio só intrigas só mentiras e dominam o mundo as invejas a frustração deforma os espíritos a competição entre as feras de dentes ávidos os seres humanos feras ávidas de sangue alheio eles matam eles comem eles destroçam eles desperdiçam eles vociferam eles não sabem o que é viver nem o que é a vida o que podia ser se em vez do ódio oh meu deus e a frustração mas então e circulavam nas ruas apressadamente as vítimas e os carrascos aqueles que nunca tinham feito nada nem sido amadoos e aqueles que sem terem feito nada queriam passar por ter feito tudo gente infeliz gente à deriva amaldiçoando o que lhes passava diante dos olhos caluniando inventando histórias sem pejo vinham de países distantes de longe chegavam as hordas de oportunistas famintos de dinheiro e de glória dispostos a tudo para conquistar um lugar na cidade assim iam os tempos os sinos das igrejas das aldeias ainda tocavam ao entardecer mas quem os ouvia se os campos estavam desertos só nas planícies ia ecoando o som lúgubre dos sinos da torre da igreja a nossa ausência o vazio que ameaçava e para onde correr à procura de um pouco de humanidade de alguma coisa que se assemelhasse ainda à vida se o deserto ameaçava se o vazio o nada para onde renunciar dizias tu ir-se embora deixá-los a falar sozinhos a tampa da arca aberta do vulcão fedorento a vomitar imprecações e mentiras e as razões do ódio antes não ter nada antes a pobreza mais pobre e irremediável e definitiva a luta é insensata os corações deformam-se o ódio e a calúnia alastram ir-se embora cortar com todos os laços antes de morrer conhecer enfim a verdade do nosso destino longe de tudo o que é humano longe dos génios do mal entre as árvores e os animais silenciosamente ir ao encontro da paz do nada do silêncio da verdade sem ruídos já sem palavras mas como abandonar tudo se ainda se espera que um dia alguém há-de vir messias o salvador amante a salvadora e tudo mudará o sacrifício de um aproveitará a todos mas não é verdade nunca aconteceu a história da humanidade é a história do triunfo do vício e da mentira e da injustiça que se há-de fazer eu fujo disse ele eu vou-me embora eu não suporto viver entre esta gente e não olhou para trás foi subindo as colinas depois as montanhas secou o suor no rosto abanou a cabeça desapareceu no horizonte de saco às costas como um peregrino nunca mais ninguém o viu ou soube dele os tempos não permitiam outra maneira de escapar ao tédio e à inveja ao ódio e às calúnias dos doentes dos loucos que por todo o lado na cidade estendiam as mãos a pedir mas eram mãos de punhos fechados e longas unhas sujas não mãos abertas eram mãos que odiavam e exigiam e queriam estrangular apanhar agarrar sequiosas ávidas garras nojentas línguas apodrecendo da sua própria doença não mãos que procuravam o calor de outras mãos oh não e assim passavam os séculos desperdício ruína de tudo o que podia ter sido e não foi um destino que bonito termos um destino e a família estar orgulhosa de nós dos nossos sucessos do lugar que acabámos por ocupar na sociedade afinal a justiça existe e fomos recompensados ah ah ah e a mentira e a encenação se as pessoas e sobretudo os vencidos realmente soubessem o que se passou como foi que oportunistas subimos essas escadas até ao êxito ah ah ah se eles soubessem mas eles sabem eles conhecem-nos não podem é falar nisso não se podem queixar porque os acusam de inveja quando eles apenas estão a dizer como foi que as coisas se passaram claro há heróis incorruptos e o cansaço meu deus o cansaço as energias gastas nessa azáfama claro que há deve haver boas pessoas gente boa e santos até porque não é possível no essencial claro que sim mas os outros os que invejam e intrigam os que sofrem de não ter sido capazes de não ter sabido de não ter querido os crápulas mas nem todos os vencidos da vida são crápulas evidentemente crápulas são os que triunfaram quando nada fizeram que justificasse qualquer triunfo nada fizeram enquanto era tempo não têm descanso e o fel já apodrecido das suas paixões frustradas e destruídas insensatas torna o ar irrespirável uf uf mão no nariz os nossos semelhantes em frequentes casos só se assemelham à parte de nós que nós repudiamos à qual não damos oportunidade de se exprimir e realizar mas eles contentam-se em ser isso esse lixo esse repúdio esse excesso vieram de longe com um saco vazio às costas e conquistaram o mundo agora não querem abdicar fêmeas sem escrúpulos nem alma carne à deriva no talho das ilusões nunca respeitaram as regras do jogo nem querem respeitá-las já perceberam as oportunistas que no mundo há lugar para todos e sobretudo para quem sabe mentir e desempenhar bem o papel aprendido imiitações da pureza da verdade más imitações fraudes e lamber botas e criar intrigas e queixar-se eternamente de tudo de todos e caluniar ou não haverá lugar de facto e sobretudo devido à inoperância das leis para os vigaristas dos sentimentos dos ideais sobretudo para esses é que o mundo parece ter sido feito eu respondi que não estava absolutamente nada de acordo com tais teorias que ainda acreditava na humanidade e no futuro mas riram-se de mim e mandaram-me logo calar eu ri-me deles com escárnio modestamente no meu canto obscuro queria lá saber e fui à minha vida desapareci de novo na gruta onde repousava às vezes na escuridão na frescura das pedras no silêncio na solidão absoluta de tanta azáfama de tanto cansaço de todas as loucas intrigas humanas de tanto ódio e mentira e ambição depois a noite caiu fez-se silêncio à minha volta o ar arrefeceu o céu era um manto escuro neutro indiferente ou protector tanto fazia descansei adormeci enfim

Monday, April 17, 2006

Thursday, April 13, 2006

Paul Celan: The clinker game

Landscape with urn creatures.
Conversations
from smoke to smoke mouth.

They eat:
those madhouse truffles, a chunk
of unburied poetry,
found a tongue and a tooth.

A tear rolls back into its eye.

The left-hand, orphaned
half of the pilgrim's
shell - they gave it to you,
then they fettered you -
listening, floodlights the scene:

the clinker game against death
can begin.


(Trad. Michael Hamburger)

Wednesday, April 12, 2006

Frases

"Most people are other people. Their thoughts are someone else's opinions, their lives a mimicry, their passions a quotation."
Oscar Wilde

"The trouble with a rat race is that even if you win, you are still a rat."
Lilly Tomlin

Sunday, April 09, 2006

Saturday, April 08, 2006

Gralhas

O meu livro Elogio do Silêncio, publicado pela Casa do Sul recentemente, tem algumas gralhas:

P. 24 - linha 5, em vez de "ocupar-nos" é "ocuparmos"

P. 54 - linha 8, em vez de "desses" é "desse"

P. 58 - linha 7, em vez de "sei" é "sabemos"

Friday, April 07, 2006

Excessos


















Excesso de narcisismo torna os blogues
enjoativos e indigestos.

Thursday, April 06, 2006

Wednesday, April 05, 2006

If you underestimate me...








Poses

































Blogues e jornais: crédito?

O que se escreve num jornal é mais digno de crédito do que o que se escreve num blogue? Um livro para ser lido sem preconceitos nem arrogância tem forçosamente de ser publicado em papel por uma editora comercial? E porquê, qual é o critério que permite hierarquizar? Não é tudo linguagem proveniente das mesmas falíveis ou surpreendentes capacidades humanas? O monopólio da "verdade" e da palavra, detido em teoria no passado pelo poder político, pela imprensa tradicional e pelas editoras, já se entendeu que só se impunha ou parecia impor-se por não haver possibilidade de lhe opor uma concorrência séria. Mas hoje há gente a escrever nos blogues com competência e lucidez iguais ou superiores às dos jornalistas. Tudo o que respeita à comunicação está a mudar radicalmente. A competição por enquanto parece favorecer o papel impresso, a rádio e a televisão, os "lobbies" de jornalistas e intelectuais com algum poder, já organizados em função de interesses pessoais e comuns. Alguns jornalistas tentam aumentar ou acautelar o poder e a influência que sentem escapar-lhes criando blogues (que funcionam também, quando necessário, como rede de cumplicidades e elogio mútuo). Mas perante quem e por quanto tempo é que esta situação de ambíguo e incerto privilégio se manterá ainda?

P.S. João Pedro George fez recentemente sobre este tópico uma série de observações interessantes. Ver Crítica literária: uma perspectiva sociológica.

Monday, April 03, 2006

Sunday, April 02, 2006